Páginas

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015

     Na manhã de hoje, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou a lista dos indicados ao Oscar 2015, a maior premiação do cinema mundial. O evento ocorreu em Beverly Hills e teve a presença dos diretores J.J. Abrams e Alfonso Cuaron, do ator Chris Pine e da presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs.
      Birdman e O Grande Hotel Budapeste foram os destaques, com nove indicações cada. O primeiro longa já era considerado favorito para os mais diversos prêmios, enquanto o segundo surpreendeu a todos ao ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia ou Musical. Aliás, em comparação com a premiação ocorrida no dia 11, a grande novidade é Sniper Americano, dirigido por Clint Eastwood, indicado a seis categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator para Bradley Cooper e Melhor Roteiro Adaptado.
     Entre os "esnobados" do Oscar, o principal é Garota Exemplar, elogiadíssimo longa de David Fincher, indicado apenas a Melhor Atriz para Rosamund Pike. Amy Adams, uma das grandes favoritas, ficou de fora, dando lugar para Marion Cotillard.
     Nas categorias femininas, destaque para Meryl Streep, quebrando mais uma vez seus próprios recordes ao ser indicada pela 19° vez, concorrendo em Melhor Atriz Coadjuvante por Caminhos da Floresta.
     Nas partes técnicas, várias indicações para os favoritos o Grande Hotel Budapeste e Birdman, mas também há grandes chances para longas como Invencível, dirigido por Angelina Jolie, e Interestelar, último trabalho de Christopher Nolan.
     O evento acontecerá no dia 22 de fevereiro e terá apresentação do ator Neil Patrick Harris, muito conhecido por seu papel como Barney na série How I Met Your Mother. Ellen DeGeneres, que apresentou a edição desse ano, foi a primeira opção, mas a apresentadora recusou. No Brasil, a premiação será transmitida pela emissora de TV por assinatura TNT, a partir das 20h30. Confira a lista completa de indicados:

Melhor Filme
Birdman
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo
Boyhood - Da Infância a Juventude
Sniper Americano
Selma
Whiplash - Em Busca da Perfeição
O Grande Hotel Budapeste

Melhor Diretor
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Alejandro González Iñirritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood - Da Infância a Juventude
Morten Tyldum - O Jogo da Imitação
Bennett Miller - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Melhor Ator
Steve Carell - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Michael Keaton - Birdman
Bradley Cooper - Sniper Americano
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

Melhor Atiz
Julianne Moore - Para Sempre Alice
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Reese Whiterspoon - Livre
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Marion Cotillard - Dois Dias, Uma Noite

Melhor Ator Coadjuvante
J.K. Simmons - Whiplash - Em Busca da Perfeição
Ethan Hawke - Boyhood - Da Infância a Juventude
Mark Ruffalo - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
Robert Duvall - O Juiz
Edward Norton - Birdman

Melhor Atriz Coadjuvante
Meryl Streep - Caminhos da Floresta
Emma Stone - Birdman
Laura Dern - Livre
Patricia Arquette - Boyhood - Da Infância a Juventude
Keira Knightley - O Jogo da Imitação

Melhor Roteiro Original
Boyhood - Da Infância a Juventude
Birdman
Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
O Abutre
O Grande Hotel Budapeste

Melhor Roteiro Adaptado
O Jogo da Imitação
Sniper Americano
Whiplash - Em Busca da Perfeição
A Teoria de Tudo
Vício Inerente

Melhor Animação
Operação Big Hero
Como Treinar Seu Dragão 2
Song of The Sea
Os Boxtrolls
O Conto da Princesa Kaguya

Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Relatos Selvagens (Argentina)
Tangerines (Estônia)
Timbuktu (Mauritânia)

Melhor Figurino
O Grande Hotel Budapeste
Malévola
Caminhos da Floresta
Vício Inerente
Mr. Turner

Melhor Maquiagem e Penteados
Guardiões da Galáxia
O Grande Hotel Budapeste
Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Melhor Direção de Arte
Interestelar
Caminhos da Floresta
Mr. Turner
O Jogo da Imitação
O Grande Hotel Budapeste

Melhor Direção de Fotografia
Ida
O Grande Hotel Budapeste
Birdman
Invencível
Mr. Turner

Melhor Edição
O Jogo da Imitação
O Grande Hotel Budapeste
Boyhood - Da Infância à Juventude
Sniper Americano
Whiplash - Em Busca da Perfeição

Melhor Edição de Som
Invencível
Interestelar
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Sniper Americano
Birdman

Melhor Mixagem de Som
Interestelar
Invencível
Whiplash - Em Busca da Perfeição
Birdman
Sniper Americano

Melhores Efeitos Visuais
Guardiões da Galáxia
Capitão América 2 - O Soldado Invernal
Interestelar
Planeta dos Macacos - O Confronto
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Melhor Trilha Sonora
Hans Zimmer - Interestelar
Alexandre Desplat - O Grande Hotel Budapeste
Alexandre Desplat - O Jogo da Imitação
Jóhann Jóhannsson - A Teoria de Tudo
Gary Yershon - Mr. Turner

Melhor Canção Original
Glory - Selma
Everything Is Awesome - Uma Aventura Lego
Grateful - Beyond The Lights
Lost Stars - Mesmo Se Nada Der Certo
I'm Not Gonna Miss You - Glen Campbell... I'll Be Me

Melhor Documentário
Citizenfour
A Fotografia Oculta de Vivian Maier
Vietnã: Batendo em Retirada
O Sal da Terra
Virunga

Melhor Curta-metragem Documentário
Joanna
Our Curse
White Earth
The Reaper
Crisis Hotline: Veterans Press 1

Melhor Curta-metragem Live Action
Aya
The Phone Call
Parvaneh
Boogalo and Graham
La Lampe au Beurre de Yak

Melhor Curta-metragem de Animação
Feast
A Single Life
Me and My Moulton
The Big Picture
The Dam Keeper

Por: Vitor Pontes

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Indicados ao Framboesa de Ouro 2015

     Esta esperando pela lista de indicados ao Oscar? Calma, falta pouco para ela ser divulgada. Enquanto isso, resta rir com os nomeados ao Framboesa de Ouro 2015, o "prêmio" dedicado aos piores filmes do ano.
     Criado em 1980 pelo publicitário John Wilson, o festival é uma sátira do Oscar, adicionando categorias especiais como Pior Remake, Adaptação ou Sequência e Pior Parceria. Os "vencedores" são escolhidos por um grupo de 657 internautas membros da Associação Framboesa de Ouro. O trófeu se trata de uma framboesa de plástico pintada com tinta dourada.
     Nessa edição, o destaque é Transformers: A Era da Extinção, indicado a sete categorias. Também foram lembrados desastres como O Apocalipse, considerado o pior filme da carreira de Nicolas Cage, o péssimo Hércules, protagonizado por Kellan Lutz, e Sex Tape: Perdido na Nuvem. Aliás, pior para a protagonista deste último longa, Cameron Diaz, indicada a Pior Atriz e Pior Parceria junto com Jason Segel, além de Pior Atriz Coadjuvante por Annie. As surpresas foram as ausências de A Entrevista e Transcendence - A Revolução, que eram alguns dos favoritos a indicações.
     A novidade deste ano esta na categoria Redenção, composta de astros que já tiveram várias indicações ou vitórias no Framboesa de Ouro e conseguiram "dar a volta por cima", como Ben Affleck, "vencedor" por Contato de Risco, que obteve respeito no cinema através do premiado Argo e de sua ótima atuação em Garota Exemplar. A categoria será decidida por voto popular.
     O atual campeão do Framboesa de Ouro é o longa Para Maiores, eleito Pior Filme em 2014. A edição desse ano ocorre no dia 21 de fevereiro, véspera do Oscar. Confira a lista completa de indicados:

Pior Filme
Hércules
Transformers: A Era da Extinção
Kirk Cameron's Saving Christimas
As Tartarugas Ninja
O Apocalipse

Pior Remake, Adaptação ou Sequência
Hércules
As Tartarugas Ninja
Transformers: A Era da Extinção
Annie
Atlas Shrugged III: Who Is John Galt?

Pior Roteiro
Kirk Cameron's Saving Christimas
O Apocalipse
As Tartarugas Ninja
Sex Tape: Perdido na Nuvem
Transformers: A Era da Extinção

Pior Diretor
Seth MacFarlane - Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
Michael Bay - Transformers: A Era da Extinção
Renny Harlin - Hércules
Darren Doane - Kirk Cameron's Saving Christimas
Jonathan Liebesman - As Tartarugas Ninja

Pior Ator
Kellan Lutz - Hércules
Adam Sandler - Juntos e Misturados
Kirk Cameron - Kirk Cameron's Saving Christimas
Nicolas Cage - O Apocalipse
Seth MacFarlane - Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

Pior Atriz
Drew Barrymore - Juntos e Misturados
Gaia Weiss - Hércules
Charlize Teron - Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
Cameron Diaz - Mulheres ao Ataque e Sex Tape: Perdido na Nuvem
Melissa McCarthy - Tammy

Pior Ator Coadjuvante
Shaquille O'Neal - Juntos e Misturados
Kelsey Grammer - Transformers: A Era da Extinção e Os Mercenários 3
Arnold Schwarzenegger - Os Mercenários 3
Mel Gibson - Os Mercenários 3
Kiefer Sutherland - Pompéia

Pior Atriz Coadjuvante
Megan Fox - As Tartarugas Ninja
Cameron Diaz - Annie
Bridgette Cameron - Kirk Cameron's Saving Christimas
Nicola Peltz - Transformers: A Era da Extinção
Susan Sarandon - Tammy

Pior Parceria
Dois robôs, atores (ou atores robóticos) - Transformers: A Era da Extinção
Seth MacFarlane - Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
Cameron Diaz e Jason Segel - Sex Tape: Perdido na Nuvem
Kellan Lutz e seu abdômen, peitoral ou glúteos - Hércules
Kirk Cameron e seu ego - Kirk Cameron's Saving Christimas

Prêmio Redenção
Ben Affleck - Argo e Garota Exemplar
Keanu Reeves - De Volta ao Jogo
Kristen Stewart - Camp X-Ray
Jennifer Aniston - Cake - Uma Razão para Viver
Mike Myers - Supermensch

domingo, 11 de janeiro de 2015

Os vencedores do Globo de Ouro 2015

     Ontem, finalmente, aconteceu o Globo de Ouro 2015, a maior premiação para cinema e televisão organizada pela crítica. Como já anunciado, George Clooney receberia o Cecil B. DeMille Award, estatueta concedida em homenagem ao conjunto da obra da carreira. O evento consagrou Boyhood - Da Infância à Juventude, um dos grandes favoritos, ganhador do prêmio de Melhor Filme - DramaEddie Redmayne ganhou o extremamente concorrido prêmio de Melhor Ator - Drama pelo papel do gênio Stephen Hawking na biografia A Teoria de Tudo. Birdman, filme com o maior número de indicações, também conseguiu destaque com os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator - Comédia ou Musical para Michael Keaton. Uma das maiores surpresas foi a escolha de O Grande Hotel Budapeste para Melhor Filme - Comédia ou Musical, produção de Wes Anderson, pela primeira vez reconhecido com um grande troféu. Confira, em negrito, os vencedores de cada categoria:


Melhor Filme - Drama
Boyhood - Da Infância à Juventude
Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo
O Jogo da Imitação
Selma
A Teoria de Tudo

Melhor Ator - Drama
Steve Carell - Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Jake Gyllennhaal - O Abutre
David Oyelowo - Selma
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

Melhor Atriz - Drama
Jennifer Aniston - Cake
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Julianne Moore - Para Sempre Alice
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Reese Whisterpoon - Livre

Melhor Filme - Comédia ou Musical
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
Caminhos da Floresta
Pride
Um Santo Vizinho

Melhor Ator - Comédia ou Musical
Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste
Michael Keaton - Birdman
Bill Murray - Um Santo Vizinho
Joaquin Phoenix - Vício Inerente
Christoph Waltz - Big Eyes

Melhor Atriz - Comédia ou Musical
Amy Adams - Grandes Olhos
Emily Blunt - Caminhos da Floresta
Helen Mirren - À 100 Passos de um Sonho
Julianne Moore - Mapa Para as Estrelas
Quvenzhané Wallis - Annie

Melhor Ator Coadjuvante
Robert Duvall - O Juiz
Ethan Hawke - Boyhood - Da Infância à Juventude
Edward Norton - Birdman
Mark Ruffalo - Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo
J.K. Simmons - Whiplash

Melhor Atriz Coadjuvante
Patricia Arquette - Boyhood - Da Infância à Juventude
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Caminhos da Floresta
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Jessica Chastain - O Ano Mais Violento

Melhor Diretor
David Fincher - Garota Exemplar
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Ava Duvernay - Selma
Alejandro González Iñarritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood - Da Infância à Juventude

Melhor Roteiro
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Gillyan Flinn - Garota Exemplar
Alejandro González Iñarritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood - Da Infância à Juventude
Graham Moore - O Jogo da Imitação

Melhor Animação
Operação Big Hero
Festa no Céu
Como Treinar Seu Dragão 2
Uma Aventura Lego
Os Boxtrolls

Melhor Trilha Sonora Original
Johann Johannsson - A Teoria de Tudo
Alexandre Desplat - O Jogo da Imitação
Trent Reznor e Atticus Ross - Garota Exemplar
Antonio Sanchez - Birdman
Hans Zimmer - Interestelar

Melhor Canção Original
Big Eyes (Lana Del Rey) - Big Eyes
Glory (John Legend, Coomon) - Selma
Yellow Flicker Beat (Lorde) - Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
Mercy Is (Patty Smith, Lenny Kaye) - Noé
Opportunit (Sia) - Annie

Melhor Filme Estrangeiro
Força Maior (Suécia)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem (França)
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
Tangerines (Estônia)

O Vencedor - Crítica

Nota: 8

Título: O Vencedor (The Fighter)
Gênero: Biografia, Drama
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2010
Estreia no Brasil: 04 de fevereiro de 2011
Duração: 115 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: David O. Russell
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Jack McGee, Frank Renzulli, Mickey O'Keefe, Jackon Nicoll


     Filmes sobre boxe são quase um gênero cinematográfico. Incontáveis produções já falaram sobre o esporte, incluindo algumas obras-primas como Rocky, um Lutador, Menina de Ouro e Touro Indomável. O primeiro longa citado, provavelmente, é o maior responsável pela popularização desse tipo de filme, com Sylvester Stallone no papel do lutador com inúmeros problemas na jornada em busca da glória. Aliás, a necessidade de superar dramas pessoais sempre esta presente na história dos protagonistas do gênero, sendo tema mais uma vez em O Vencedor, baseado na vida do boxeador Micky Ward.

     Em 1993, Dicky Eklund (Christian Bale) ficou conhecido por conseguir derrubar o campeão Sugar Ray Leonard, o maior feito de sua carreira como pugilista. Mesmo perdendo a luta, isso criou chances para Eklund, que ele desperdiçou devido ao uso cada vez mais constante de crack. Apesar disso, ele ainda se considera uma grande estrela. Seu meio-irmão mais novo, Micky Ward (Mark Wahlberg), sonha em ser um boxeador de sucesso, sendo treinado por Dicky e empresariado pela mãe, Alice (Melissa Leo). O problema é que a família parece esquecer de Micky, sempre dando maior importância para seu irmão, que costuma se atrasar para os treinos devido as drogas. Após começar a namorar Charlene Fleming (Amy Adams), Ward decide mudar os rumos de sua vida em busca de vitórias, mas, para isso, terá que se livrar da influência da família.

     Em um primeiro momento, O Vencedor parece apenas mais um drama de superação envolvendo esportes. Todas as características do estilo estão presentes, mas o filme se diferencia ao tratar a família como a grande razão para Micky não conseguir se desenvolver. A mais difícil luta do protagonista esta, na verdade, fora do ringue. Uma batalha que ele precisa vencer se quiser alcançar o sucesso.

     Uma das melhores escolhas do roteiro esta na utilização de um documentário produzido pela HBO como base para o início da história. Essa produção realmente aconteceu e falava sobre as consequências do crack, tendo como protagonista Dicky Eklund. Porém, o ex-pugilista acreditava se tratar de um filme sobre sua vida, só descobrindo o real tema ao assistir a obra na televisão. O uso desse recurso é excelente para o desenvolvimento do personagem e de todos ao seu redor, pois Dicky é considerado a pessoa mais importante da família, o já citado motivo para a falta de investimento em Micky. Além disso, o documentário permite ao espectador visualizar a situação através do ponto de vista de alguém fora do cotidiano dos personagens, o que ajuda a ter uma opinião mais desenvolvida sobre eles.

    O único grande problema do filme esta no protagonista. Por mais que Micky Ward seja apresentado como uma pessoa tímida e suscetível a manipulação pelos outros, ele fica extremamente apagado em todas as cenas que divide com o irmão Dicky Eklund, que parece ser o real protagonista da história. O personagem tem importância fundamental para o sucesso de Ward. Além disso, sua jornada contra o vício em crack é um dos pontos mais importantes do roteiro.

     Micky já parece ter menos espaço que Dicky, sensação que fica ainda maior devido ao nível dos atores. Mark Wahlberg vai bem, mas não impressiona, fazendo o básico, sendo engolido pela atuação fantástica de Christian Bale, premiado com o Oscar e o Globo de Ouro pelo papel. O ator, um dos mais dedicados de Hollywood atualmente, fez outra de suas famosas transformações, perdendo muito peso para ficar semelhante fisicamente ao real Dicky na época. Além deles, há a presença da sempre ótima Amy Adams como a namorada Charlene, adicionando mais uma boa atuação ao seu currículo, e Melissa Leo, premiada pelo filme, como a mãe Alice, fazendo o estilo perua e deixando um ar de futilidade necessário para a personagem.

     Tecnicamente, o longa chama atenção ao utilizar imagens de televisão para mostrar as cenas de lutas, uma escolha do diretor David O. Russell, que faz um excelente trabalho. A trilha sonora também é das melhores, trazendo músicas dos anos 70 de bandas como Led Zeppelin, Whitesnake e Bee Gees.

   Embora muitos possam considerar O Vencedor como "apenas mais um filme sobre boxe", a produção é muito bem feita e tem seu lugar entre os grandes nomes do drama esportivo. Não chega a ser uma obra-prima, mas a ótima parte técnica combinada com incríveis atuações tornam merecidas as sete indicações do longa ao Oscar, marcando seu nome na história do cinema.

Por: Vitor Pontes

sábado, 10 de janeiro de 2015

Maldito Futebol Clube - Crítica

Nota: 9

Título: Maldito Futebol Clube (The Damned United)
Gênero: Biografia, Drama
Nacionalidade: Reino Unido
Ano de produção: 2009
Estreia no Brasil: 29 de janeiro de 2010
Duração: 98 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Tom Hooper
Roteiro: Peter Morgan (Obra original de David Peace)
Elenco: Michael Sheen, Timothy Spall, Colm Meaney, Jim Broadbent, Stephen Graham, Martin Compston, Joseph Dempsie, John Savage


     Após a vergonhosa derrota por 7x1 que a Seleção Brasileira sofreu para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo do ano passado, todos olharam com fúria para o técnico Felipão. Ah, técnico de futebol, que profissão ingrata. Embora o treinador do Brasil realmente tivesse grande culpa na tragédia que ocorreu no Mineirão, a situação serve muito bem para mostrar como a responsabilidade pelos fracassos sempre fica para o "professor". Infelizmente, em momentos de vitórias, o técnico, muitas vezes, é um dos últimos a receber elogios. É preciso gostar do que se faz, é preciso ter muita força de vontade e qualidade para seguir carreira nessa profissão, é preciso ficar marcado. Alguns treinadores são lembrados pelos grandes títulos, outros pela técnica de seus times, outros pela sua personalidade marcante. Brian Clough é lembrado por todas essas características.

     Provavelmente, o melhor técnico inglês da história e, para muitos, o melhor da profissão em todos os tempos, Clough começou no Heartpool United em 1965, um ano após se aposentar da carreira de jogador. Em 1967, foi para o Derby County, um time pequeno da segunda divisão, e fez história ao levar a equipe ao título do campeonato e, posteriormente, ganhar o troféu da primeira divisão. O treinador estava no topo, assim sendo contratado pelo Leeds United, o maior da Inglaterra na época. Apesar do elenco vitorioso, Brian Clough ficou ali apenas 44 dias e passou pela pior fase de sua carreira. Essa época sombria e marcante do técnico foi escolhida para ser representada em Maldito Futebol Clube.

     O roteiro é inspirado no livro homônimo de David Peace e tem algumas licenças poéticas, o que trouxe críticas para a produção, mas isso não retira o espírito da história que ela desejava retratar. O filme busca mostrar o quanto Brian Clough, interpretado por Michael Sheen, era teimoso e obstinado, desmistificando a imagem do tão idolatrado técnico. Sua personalidade marcante podia ser uma arma poderosa, mas também tinha força para acabar com sua imagem. Outro ponto fundamental que a produção trata é a rivalidade com Don Revie, ex-técnico do Leeds, uma das grandes razões para o fracasso de Clough no comando do time. Além disso, há também a questão da amizade com o auxiliar-técnico Peter Taylor, interpretado pelo ótimo Timothy Spall.

   A grande diferença de Maldito Futebol Clube esta na forma como os acontecimentos são mostrados. Enquanto os dramas esportivos sempre relatam uma história de superação, o longa faz o contrário, nos levando através de flashbacks para as maiores glórias de Brian Clough até então, assim chegando na difícil situação do técnico no Leeds.

     A direção de Tom Hooper, futuramente premiado por O Discurso do Rei, é destaque, utilizando sempre ótimos ângulos de filmagem. O modo como o cineasta representa a tensão dos jogos é fantástica, como quando se acompanha os momentos de uma partida apenas pela sensação dentro do vestiário. Outro exemplo impactante esta ao mostrar o time extremamente animado ao entrar em uma jogo decisivo e apenas o resultado negativo aparecer na tela. Além disso, imagens reais de Brian Clough se misturam com a produção, o que funciona muito bem.

     Michael Sheen foi muito elogiado por sua atuação, tendo conseguido se adaptar bem aos trejeitos do personagem e conseguindo convencer na questão da personalidade. Os coadjuvantes vão sempre muito bem, menos Colm Meaney, que não parece muito a vontade no papel de Don Revie.

     Em meio a tantos bons filmes sobre esportes, Maldito Futebol Clube é um dos poucos que se destaca quando se trata de produções sobre a modalidade mais praticada do mundo. Uma obra digna para uma figura tão importante, indispensável para qualquer grande fã de futebol, mas com qualidade para agradar até quem não gosta tanto assim do esporte.

Por: Vitor Pontes

Constantine - Crítica

Nota: 7

Título: Constantine (Constantine)
Gênero: Ação, Terror, Suspense
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2005
Estreia no Brasil: 11 de março de 2005
Duração: 121 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Mark Bomback, Frank A. Capello (Personagem criado por Alan Moore)
Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Djimon Hounsou, Peter Stormare, Larry Cedar


     Um produtor que decide adaptar para os cinemas um livro muito famoso sabe a pressão que vai sofrer dos fãs da obra em relação a fidelidade com o material original. Mudanças na história, alterações na personalidade ou aparências dos personagens, visual de acordo com as descrições oferecidas... As adaptações de HQ's ganharam cada vez mais espaço em Hollywood desde o início do século XXI, principalmente com os sucessos de filmes de super-heróis, e os fãs de quadrinhos cobram fidelidade tanto quanto e, às vezes, até mais que os amantes de livros. Constantine foi mais um filme que sofreu por essas razões.

     O nome da produção já causou polêmica devido a série de quadrinhos se chamar Hellblazer, sendo que foi alterado com a justificativa de evitar confusão com o filme Hellraiser, assim colocando o sobrenome do protagonista como título. O personagem John Constantine foi criado pelo famoso e idolatrado cartunista Alan Moore. Ele é um mago, anti-herói e sua histórias são ligados a ocultismo, envolvendo temas como demônios e o inferno, o que torna a HQ direcionada para adultos. A outra grande alteração foi no fato do personagem, originalmente, ser loiro e inglês, sendo que o longa o transformou em moreno e americano. Apesar das várias reclamações, Constantine é, na verdade, um filme muito interessante e oferece entretenimento de qualidade.

     No início da humanidade, Deus e o Diabo teriam feito um pacto, determinando que poderiam influenciar o livre-arbítrio das pessoas, assim tentando levar suas almas para seu lado. Para conseguir isso, eles contam com a ajuda de anjos e demônios. John Constantine (Keanu Reeves) é um exorcista que vive em Los Angeles e busca casos que possam estar atrapalhando o equilíbro entre o Céu e o Inferno. Capaz de ver os seres como realmente são, Constantine considera a habilidade uma maldição, o que o levou a tentar cometer suicído quando criança e acabar com suas chances de ir para o Céu após a morte (o ato é considerado pecado imperdoável pelos católicos). Então, John decidiu combater demônios pelo resto de sua vida para tentar garantir sua ida até o paraíso. Em certo momento, a policial Angela Dodson (Rachel Weisz) pede ajuda do exorcista para resolver o misterioso assassinato de sua irmã.

       O roteiro tem como base a HQ Hábitos Perigosos, que tinha como um de seus temas um câncer de Constantine em razão do seu hábito de fumar todos os dias, mas isso não foi o principal assunto do filme. A história se mostra ousada ao tratar, através de uma visão bem polêmica, sobre religião e ocultismo. O suspense se mantém durante quase todo o filme, mas a ação passa a ser mais presente nas últimas cenas.

     O maior acerto do longa esta na parte técnica, principalmente na criação de uma atmosfera sombria. As cenas urbanas noturnas com sombras, sujeira e fumaça conseguem retratar bem o clima de suspense da história. A representação do inferno também é bem interessante, sendo ele como o nosso mundo, mas destruído e em chamas. Os efeitos especiais não possuem uma grande qualidade, mas funcionam quando necessário.

     O grande problema esta na atuação de Keanu Reeves. Por mais que seu jeito inexpressivo consiga se encaixar com o personagem em alguns momentos, ele mostra suas dificuldades ao tentar criar a figura de um anti-herói, não sabendo expressar bem o humor sarcástico do protagonista. Uma pena que os produtores tenham insistido tanto na escolha de um ator tão limitado. Já a coadjuvante Rachel Weisz mostra sua qualidade de sempre, vivendo sua personagem com grande competência.

      Embora tenha alguns furos de roteiro e seu final seja "comercial" demais, não condizendo com o jeito e as atitudes do personagem, Constantine é um suspense muito bom. Por mais que os fãs tenham reclamado das alterações, o longa possui qualidade e, inclusive, pode levar muita gente a procurar mais sobre o protagonista, que se afasta bastante dos heróis convencionais.

Por: Vitor Pontes

Vizinhos - Crítica

Nota: 7

Título: Vizinhos (Neighbors)
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 19 de junho de 2014
Duração: 96 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Nicholas Stoller
Roteiro: Andrew J. Cohen, Brendan O'Brien
Elenco: Seth Rogen, Zac Efron, Rose Byrne, Dave Franco, Christopher Mintz-Plasse, Craig Roberts, Carla Gallo, Halston Sage, Randall Park


     Atualmente, quando se fala de filmes que não se levam a sério, logo vem a mente o nome de Seth Rogen. O responsável pelas comédias mais politicamente incorretas e nonsense dos últimos anos parece não cansar de investir em projetos que fazem referências a cultura pop, piadas com clichês do cinema e com a própria amizade entre os mesmos atores que participam de quase todos os seus filmes (James Franco, Danny McBride, Michael Cera, Jonah Hill...). Alguns podem achar seu humor ofensivo e exagerado, mas é inegável que a maioria de suas produções conseguem ter uma qualidade ao menos razoável e divertir quem gosta de comédias sem compromissos. Vizinhos é, simplesmente, mais um de seus filmes, tratando da clássica briga entre moradores tantas vezes explorada no cinema, mas, dessa vez, com o tempero das comédias de Rogen.

     Mac (Seth Rogen) e Kelly Radner (Rose Byrne) se mudam para uma nova casa com a filha recém-nascida. Apesar de felizes por realizarem o sonho de se tornarem pais, o casal mostra que sente falta de quando tinham tempo e disposição para fazer várias coisas. A nova vizinhança parece calma, mas tudo muda quando uma fraternidade de faculdade, liderada pelo jovem Teddy Sander (Zac Efron), se muda para a casa ao lado, criando um conflito entre o casal e os estudantes devido as festas e o barulho todos os dias.

      O roteiro de Andrew J. Cohen e Brendan O'Brien deixa clara a liberdade para fazer piadas com as coisas mais absurdas e variadas possíveis. Até depilação masculina e leite materno empredrado são transformados em humor, tipo de exagero que chega a causar constrangimento em algumas situações, mas que consegue ter seus pontos positivos. As referências a cultura pop rendem os melhores momentos, como a discussão entre Mac e Teddy sobre quem foi o melhor Batman e a hilária festa temática sobre Robert de Niro. Além disso, sobram piadas com as mais diversas personalidades, passando por Mark Wahlberg, J.J. Abrams, Barack Obama, entre outros.

     O maior problema de Vizinhos esta na sua história, sem fôlego para se sustentar durante os 96 minutos de duração. Em alguns momentos, parece impossível imaginar seu fim e certas situações da trama se mostram apenas convenientes para aumentar o tempo da produção. Além disso, o roteiro erra quando tenta dar uma profundidade maior para os personagens, o que acaba em um desenvolvimento raso e desnecessário.

     Nicholas Stoller, que vem se juntando ao grupo de comediantes de Judd Apatow, faz uma direção segura, sem ousadia, priorizando a história em relação a parte técnica, o que se mostra um grande acerto.

     Seth Rogen tem o jeito exagerado de sempre, não se diferenciando da maioria de seus personagens, e sabe como fazer um protagonista histérico soar divertido. O grande destaque, que pode ser o mais novo membro da equipe de Rogen, é Zac Efron, o eterno galã de High School Musical, parecendo uma versão exagerada do papel de Troy Bolton, o mais importante de sua carreira, e demonstrando que realmente pode ter talento para comédia, já que também em 2014 fez o interessante Namoro ou Liberdade.

     Entre os coadjuvantes, Rose Byrne, conhecida por X-Men: Primeira Classe, consegue ser engraçada em diversas situações. Dave Franco, irmão mais novo de James Franco, vai mostrando que também possui talento para comédia após ter participado de Anjos da Lei, em 2012. Há também uma rápida, mas interessante, participação de Christopher Mintz-Plasse, o eterno McLovin de Superbad - É Hoje.

     Mesmo com seus problemas, Vizinhos se mostra mais uma divertida comédia politicamente incorreta. Apesar da história arrastada e de momentos exagerados, o filme garante entretenimento para quem busca apenas um humor descontraído. Simples e interessante.

Por: Vitor Pontes