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sábado, 29 de novembro de 2014

Quero Matar Meu Chefe 2 - Crítica

Nota: 6

Título: Quero Matar Meu Chefe 2 (Horrible Bosses 2)
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 26 de novembro de 2014
Duração: 108 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Sean Anders
Roteiro: John Francis Daley, Jonathan Goldenstein, Sean Anders, John Morris
Elenco: Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Chris Pine, Jennifer Aniston, Kevin Spacey, Jamie Foxx, Christoph Waltz


     Lançado em 2011, Quero Matar Meu Chefe surpreendeu a todos com seu elenco que, apesar de possuir estrelas como Kevin Spacey, Jennifer Aniston e Colin Farrell, tinha como protagonistas três atores pouco conhecido, embora Jason Bateman já tivesse feito grandes trabalhos. Recheado de referências a televisão, outros filmes e a quadrinhos, o filme sabia usar linguagem chula sem apelar para baixarias, conquistando o público e fazendo sucesso nas bilheterias. Logo começaram as negociações para uma continuação, que chega aos cinemas esse ano. Apesar do roteiro diferente, a proposta é basicamente a mesma: os três amigos vão cometer um crime e se metem em diversos problemas.

     Após os acontecimentos do filme anterior, os amigos Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis) decidem investir em um negócio próprio, porém, eles sofrem um golpe do empresário (Christoph Waltz) que iria distribuir seus produtos, ficando completamente falidos e prestes a perder tudo. Para tentar se vingar e recuperar o dinheiro, os três planejam sequestrar o filho do bilionário (Chris Pine) para ficarem com o resgate e levantarem suas carreiras.

     Assim como o anterior, a sequência não faz a menor questão de se levar a sério, ou seja, tudo é desenvolvido de forma simples propositalmente. A premissa de cometer um crime leva a encontros com os antigos chefes (Jennifer Aniston e Kevin Spacey), além do criminoso "Mete a Mãe" Jones (Jamie Foxx). A falta de comprometimento foi um ponto positivo do original e continua sendo, já que seria impossível considerar reais possibilidades de uma história dessas.

     Apesar de seguir a linha do primeiro filme, a produção acaba utilizando muito mais piadas sexuais dessa vez, não só nas cenas com a personagem de Jennifer Aniston, mas em geral. Isso pode incomodar quem não gosta muito desse estilo, já que antes esses momentos eram mais leves e menos gratuitos do que agora.

    O jeito excêntrico dos protagonistas Dale e Kurt é muito explorado, principalmente do personagem de Charlie Day, que roubou a cena quando apareceu no primeiro filme. Já Nick é mais contido, sendo a "voz da razão" no grupo de amigos. Os momentos de confusão entre os três são muito utilizados para as piadas, porém incomodam em certas partes, devido a todos falarem ao mesmo tempo várias vezes. Uma tentativa de fazer rir através do exagero que, apesar de divertir, irrita bastante quem não gosta dessa forma de humor. 

    O filme contem muitas referências a cultura pop e todas são bem feitas. Sandra Bullock, Jane Fonda e Bradley Cooper são alguns dos atores citados e, entre os filmes, temos piadas sobre a comédia Se Beber, Não Case e o clássico Clube da Luta. Além disso, o principal alvo é a música Roar, da cantora Kay Perry, que até possui importância fundamental para a trama.

     Infelizmente, algumas piadas se perdem na versão nacional, pois há trocadilhos com a pronúncia de nomes em inglês. Não há muito o que fazer em relação a isso, já que era impossível manter o humor dessas cenas traduzindo-as, mas o fato não deixa de prejudicar um pouco a qualidade da obra.

    O elenco original volta quase completo, com exceção de Colin Farrell. Os três protagonistas seguem a mesma linha que seus personagens já possuíam, porém Jason Sudeikis explora mais o lado "louco" de Kurt. Entre os novos atores, Chris Pine tem destaque ao fazer o excêntrico filho do empresário que aplica o golpe nos personagens. O antagonista não possui tanto tempo em tela, porém Christoph Waltz tenta fazer algo mais cômico, ao estilo de quanto atuou em Besouro Verde, onde também interpretou um vilão. Para os fãs de Breaking Bad, a participação de Jonathan Banks é bem legal e vai alegrar quem sente saudades do ator que interpretava o eterno Mike na série de TV.

       Mesmo sendo inferior ao original, Quero Matar Meu Chefe 2 agrada bastante e esta bem acima do nível da maioria das comédias atualmente. Com boas referências e um elenco estelar, tem tudo para divertir quem gostou do primeiro filme, sendo uma ótima pedida para quem buscar rir sem compromissos.

Por: Vitor Pontes

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Antes de Partir - Crítica

Nota: 6

Título: Antes de Partir (The Bucket List)
Gênero: Comédia, Drama
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2007
Estreia no Brasil: 22 de fevereiro de 2008
Duração: 97 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Direção: Rob Reiner
Roteiro: Justin Zackham
Elenco: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow, Alfonso Freeman


     Antes de Partir é um filme que não possui nada de original. Tem os clichês clássicos de obras que abordam a amizade e o sentido da vida e personagens que são esteriótipos dos eventuais papéis da dupla de protagonistas, mas, mesmo assim, é uma produção que ainda pode fazer rir e conseguir emocionar, apesar de não ser algo marcante ou histórico. As coisas só funcionam graças ao carisma dos dois adorados atores principais: Morgan Freeman e Jack Nicholson.

     Carter Chambers (Morgan Freeman): mecânico, casado, um dia se sente mal no trabalho e é levado para o hospital, onde descobre possuir um câncer. Edward Cole (Jack Nicholson): empresário, dono de um hospital, também se sente mal e descobre ter câncer. Ambos ficam internados no mesmo local na clínica pertencente a Cole, devido a sua regra de que cada quarto precisa ter dois leitos. De personalidades opostas, ambos se estranham inicialmente, mas começam a se aproximar, ainda mais depois da notícia de que possuem apenas alguns meses de vida. Então, Carter começa a escrever a "Lista da Bota" (Daí o nome original, The Bucket List), que consiste em tudo que ele deseja fazer antes de morrer. Cole gosta da ideia e decide usar todo seu dinheiro para que eles possam sair e realizar seus desejos, desenvolvendo assim uma bela amizade.

     Apesar da falta de originalidade e o fato de que tudo que vai acontecer com os personagens é extremamente óbvio, a história consegue prender pela forma com que o desenvolvimento dos protagonistas é feito. A clássica história do pai arrependido por não ter contato com os filhos, o homem frustado com seu casamento e todo o resto estão lá, mas o filme consegue ser interessante mesmo assim.

     Totalmente filmada em estúdio, a produção usa e abusa do chroma key, mas o resultado é péssimo. Os cenários são extremamente artificiais e não convencem ninguém, além de que tudo é feito como se cada ambiente tivesse que ser o cartão-postal de um país, o que não agrada nem um pouco. Em uma história onde os locais visitados pelos protagonistas representam os gostos e a personalidade de cada um, a má qualidade dos efeitos diminui muito o potencial do filme e causa grande frustração.

     As atuações podem não estar nos níveis espetaculares que estamos acostumados a ver de Jack Nicholson e Morgan Freeman, mas não são ruins. Apesar das personalidades distintas dos personagens, a amizade deles é bem desenvolvida muito em razão da química entre os atores. Claro que os protagonistas são papéis fáceis para os dois, a exemplo de Edward Cole, o homem ranzinza que Nicholson é mestre em interpretar, mas isso não tira o mérito de ambos.

     Apesar de todos os defeitos técnicos e da história cheia de clichês, Antes de Partir pode agradar quem busca um filme dramático sem ser exigente, já que a história chega a emocionar e divertir. Além disso, é ótimo ter a oportunidade de ver atores como Nicholson e Freeman juntos, sendo eles a principal razão para assistir a obra.

Por: Vitor Pontes

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tim Maia - Crítica

Nota: 9

Título: Tim Maia
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: Brasil
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 30 de outubro de 2014
Duração: 140 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Mauro Lima, Antonia Pellegrino (Obra original de Nelson Motta)
Elenco: Babu Santana, Robson Nunes, Alinne Moraes, Cauã Reymond, Laila Zaid, Nando Cunha, George Sauma. Luis Lobianco, Denise Dumont


     Em 28 de setembro de 1942, nascia em Niterói um dos maiores nomes da história da música brasileira. Sebastião Rodrigues Maia, na época conhecido como Tião, era apenas "um mulato sem chance", de acordo com o próprio, que veio a se tornar o "Síndico do Brasil". Tim Maia não só revolucionou ao introduzir o Soul na cultura musical do país, mas acabou por criar uma imagem marcante de sua personalidade em uma carreira definida por polêmicas. Drogado, individualista e desleixado são apenas alguns dos defeitos que podem ser utilizados para se referir ao cantor, que, apesar desses problemas, é sempre lembrado por seu jeito descontraído e amável nos holofotes.

     Baseada no livro Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, a adaptação de sua vida para os cinemas retrata desde o nascimento do artista, passando pelo tempo que viveu no exterior, sua prisão, o sucesso, as polêmicas, até chegar ao dia de sua morte em 1998, quando tinha 55 anos. Claro que nem todo o conteúdo vem do livro. Muita coisa foi tirada de outras obras sobre Tim Maia, além de entrevistas feitas com pessoas que foram próximas a ele.

     A longa duração do filme, 2h20, é a consequência da opção de retratar uma vida inteira, mas, mesmo assim, muita coisa ainda foi condensada para evitar aumentar ainda mais o tempo da produção. A história é narrada por Fábio (Cauã Reymond), que seria um músico que tocou por 30 anos junto de Tim Maia, mas, na verdade, não existiu, sendo ele a fusão de várias pessoas que passaram se relacionaram com o Síndico. As esposas também foram unidas na figura de Janaína (Alinne Moraes), o amor da vida do músico.

     A narração de Cauã Reymond, recurso que tinha tudo para dar errado, surpreende ao funcionar de forma perfeita para a obra, já que seu personagem é muito bem desenvolvido e, assim como o protagonista, também fala de forma irônica.

     A representação da época, através dos cenários, figurinos e formas de falar, é digna de um filme de Hollywood. A fotografia e toda a parte técnica é excelente, inclusive a trilha sonora. Os grandes sucessos estão lá, além de canções menos conhecidas, todas encaixadas muito bem nas situações da história, mostrando, inclusive, cenas em que Tim compõe as músicas.

     As interpretações de Robson Nunes e Babu Santana estão em um nível que faz o espectador acreditar fielmente que ambos são a mesma pessoa. Robson começa fazendo o Tim Maia jovem em busca de um sonho, a ida aos EUA e o início do sucesso, assim entrando Babu Santana, o já famoso e polêmico Tião que todos conhecemos. Os trejeitos do cantor foram muito bem representados pelos dois. Inclusive, a dublagem na hora das músicas é muito bem feita, sendo quase imperceptível.

     O único problema dentro do elenco esta na atuação de George Sauma como Roberto Carlos, em uma interpretação caricata e que beira uma paródia do Rei da música brasileira. Fora ele, todos os coadjuvantes vão muito bem, principalmente na representação de nomes famosos como Erasmo Carlos e Jorge Ben Jor

     Tim Maia é um filme de um nível tão alto, que nem o próprio cantor poderia criticar. Com uma parte técnica impecável e atuações excelentes de Robson e Babu, é uma bela homenagem ao eterno Síndico do Brasil. Nada melhor para definir a falta que Tim Maia faz na música brasileira do que os versos de uma de suas próprias canções. "Não sei porque você se foi / Quantas saudades eu senti / E de tristezas vou viver / E aquele adeus não pude dar /... / E eu, gostava tanto de você...".

Por: Vitor Pontes

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Amor Sem Escalas - Crítica

Nota: 9

Título: Amor Sem Escalas (Up in the Air)
Gênero: Drama, Comédia, Romance
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2009
Estreia no Brasil: 22 de janeiro de 2010
Duração: 109 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Sheldon Turner, Jason Reitman (Obra original de Walter Kirn)
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, Danny McBride, J. K. Simmons, Zach Galifianakis


     Primeiramente, é bom informar que a tradução do título do filme para Amor Sem Escalas foi um erro, pois dá a impressão da obra ser um romance, o que não é (apesar de possuir alguns toques do gênero). Falando da obra em si, quem já assistiu Juno e Obrigado Por Fumar sabe que o diretor Jason Reitman tem um jeito muito interessante de lidar com temas da realidade que todos nós vivemos, utilizando diálogos incríveis, sarcásticos e ao mesmo tempo emocionantes. Apesar de possuir um pouco menos de sarcasmo e piadas, Amor Sem Escalas traz um ótimo equilíbrio entre o drama e os momentos que possuem tom de comédia, em uma história que passa uma mensagem de reflexão impressionante e inspiradora.

     Ryan Bingham (George Clooney) é um lobo solitário por escolha própria. Seu emprego é demitir pessoas. Sim, ele trabalha para uma empresa que, como o protagonista descreve, "empresta pessoas para fazer o que chefes covardes não conseguem". Ryan é uma pessoa fria que, graças a seu trabalho, faz o que mais gosta: viajar por aí, praticamente nunca parando em algum lugar (o pesadelo do personagem é ter que se acomodar e ficar parado). Tudo vai bem, até seu chefe (Jason Bateman) contratar Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem que apresenta a proposta de demitir funcionários através de videoconferências, o que ameaça o emprego de Ryan. Então, eles passam a viajar juntos para que ele possa convence-lá de que o trabalho tem que ser feito pessoalmente. No meio dessas viagens, o protagonista conhece Alex Goran (Vera Farmiga), executiva que é uma "versão mulher" dele, assim começando uma espécie de relacionamento entre os dois.

      Apesar da época do lançamento do filme se encaixar perfeitamente com a proposta, já que o EUA estava na pior fase da última grande crise econômica, ele, na verdade, é baseado em um livro lançado por Walter Kirn em 2001. Reitman começou a adaptá-lo em 2002, mas terminou apenas seis anos depois devido a outros projetos. O momento apenas ajudou a aumentar o poder do filme, que fala de solidão, tristeza e a necessidade de recomeçar na vida. 

     O amor é essencial, até para os mais frios e solitários, e ter alguém para viver e compartilhar experiências juntos, seja esse alguém um familiar ou um amigo, é uma das melhores coisas no mundo. Essa é uma das grandes mensagens da história. A sociedade esta cada vez menos sentimental, então até que ponto vale a pena ter relações humanas? O filme deixa um pouco do seu ponto de vista, mas tem a intenção de fazer cada um refletir e ter sua própria resposta. 

     A história não seria nada sem as poderosas atuações do trio principal, todos indicados ao Oscar. George Clooney tem o carisma de sempre e faz uma ótima interpretação, sendo Ryan um personagem frio, mas que possui sentimentos reprimidos. Vera Farmiga, que já havia sido destaque em Os Infiltrados, interpreta uma personagem símbolo feminista de tão independente. Porém, o destaque maior vai para Anna Kendrick, que surpreendeu a todos depois do papel tão criticado na Saga Crepúsculo, mostrando que possui talento e pode ser um dos grandes nomes dos próximos anos.

     Dramático, emocionante e apaixonante, Amor Sem Escalas é um filme que marca por fazer refletir sem se perder no clichê de que o amor resolve tudo. É difícil assistir, não olhar para si mesmo e pensar sobre suas relações e se hoje você apenas continua indo ou se sua vida esta velendo a pena. Tenham todos uma boa reflexão.

Por: Vitor Pontes

domingo, 23 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 - Crítica

Nota: 8

Título: Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay - Part 1)
Gênero: Ação, Aventura
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 19 de novembro de 2014
Duração: 125 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Danny Strong (Obra original de Suzanne Collins)
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Elizabeth Banks, Donald Sutherland, Woody Harrelson, Jena Malone, Sam Caflin, Stanley Tucci, Natalie Dormer


     Primeiramente, é necessário destacar que uma análise dessa produção é difícil de ser feita, afinal, é uma história incompleta, sendo que a segunda parte terá um tom muito diferente do que foi essa primeira. Maior sucesso adolescente desde o fim de Harry Potter, a saga Jogos Vorazes investe em um tom mais sombrio e pesado para seus capítulos finais, utilizando essa primeira parte para mostrar momentos de reflexão. As cenas de ação acabaram quase que totalmente deixadas de lado, sendo tudo um preparo para as explosões que virão no encerramento da série.

     Após a reviravolta ocorrida no final de Jogos Vorazes - Em Chamas, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) esta no Distrito 13, junto aos rebeldes que buscam a revolução. A necessidade agora é estimular todos a entrarem em combate e apoiarem a causa contra a autoritária Capital, governada pelo presidente Snow (Donald Sutherland). Para isso, Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) e a presidente Alma Coin (Julianne Moore) precisam utillizar a imagem do Tordo para convencer, ou seja, usar Katniss. Ela aceita a responsabilidade, porém exige que resgatem os prisioneiros da Capital, incluindo o "amor" Peeta Mellark (Josh Hutcherson).

      Conhecida por sempre trazer críticas sociais e assuntos políticos implícitos, a série decide usar a publicidade como tema dessa vez. Cada lado busca utilizar a propaganda como arma para fortalecer sua causa. Os rebeldes querem trazer pessoas para seu lado, enquanto o governo utiliza todos os seus recursos para acalmar os distritos e evitar rebeliões. Essa guerra ideológica é desenvolvida de forma excelente e mostra mais uma vez o porquê da saga ser tão elogiada, pois, apesar de ser feita para adolescentes, possui temas adultos e complexos, se diferenciando das outras produções para esse público. A necessidade de um símbolo, a figura do líder, tudo esta ali para ser discutido e analisado. Além disso, o jogo político ganha tons ainda mais fortes através da figura da presidente Coin. Autoritária ao extremo, ela mostra que apesar da defesa da democracia, a política não é um local para os fracos. Tudo é feito através de interesses, não sendo exatamente para o bem comum.

      Katniss Everdeen é desenvolvida através do trauma que sofreu na arena dos jogos e na mudança repentina da sua percepção das coisas. Ela parece sofrer o filme todo de um estresse pós-traumático, o que chega a irritar em algumas partes. Infelizmente, parece que toda aquela representação de poder feminino que surgiu no primeiro filme esta se perdendo, com tudo indo para um lado em que a personagem só se importa com o próprio bem e com os poucos que ela gosta. A imagem vendida pela produção de que Katniss é um símbolo para nova geração esta em contraste com a teimosia apresentada pela personagem em quase todo o filme. Fora o "triângulo amoroso" da história, que é desenvolvido de forma bem fraca. Esses problemas não significam que ela seja uma protagonista ruim, mas jogaram fora grande parte da imagem de força e independência que Katniss possuía.

      Jennifer Lawrence se adapta bem aos sentimentos de angústia da personagem e faz mais uma boa atuação em sua carreira. Josh Hutcherson aparece pouco, já que Peeta terá maior destaque na Parte 2 da produção, mas ele vai muito bem. Fechando o trio dos jovens, a decepção do filme é Liam Hemsworth. É impossível definir se Gale esta irritado, triste ou feliz, visto que a expressão é a mesma sempre. Os grandes destaques vão para os coadjuvantes, principalmente Philip Seymour Hoffman, que mostra o quanto suas atuações vão fazer falta no cinema (a Parte 2 será o último filme do ator), transformando um papel que já era marcante em algo ainda mais incrível. Julianne Moore tão faz um trabalho fantástico como a autoritária presidente Coin. Mesmo com seus papéis tendo menor destaque, Woody Harrelson e Elizabeth Banks mantém o carisma de sempre, agradando bastante.

  Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 surpreende ao ser mais calmo que os outros filmes da série, mostrando apenas o início da grande guerra que virá. O tom político que sempre ficou implícito ganha mais destaque, o que pode agradar ainda mais quem admira a filosofia por trás da saga. Um bom começo para o fim de tudo. Agora é só esperar a Parte 2.

Por: Vitor Pontes

sábado, 22 de novembro de 2014

Os Mercenários 3 - Crítica

Nota: 4

Título: Os Mercenários 3 (The Expendables 3)
Gênero: Ação, Aventura
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 21 de agosto de 2014
Duração: 126 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Sylvester Stallone, Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Arnold Schwarzenegger, Harrison Ford, Mel Gibson, Antonio Banderas, Jet Li, Wesley Snipes, Dolph Lundgren, Kelsey Grammer, Randy Couture, Terry Crews, Kellan Lutz, Ronda Rousey


     A série Mercenários começou através de Sylvester Stallone, cuja ideia era resgatar o espírito dos muitos filmes de ação da década de 80. Para isso, nada melhor do que chamar os astros dessa época, então Rambo convocou Schwarzenegger, Jet Li, Jason Statham, Mickey Rourke, Bruce Willis e outras estrelas do cinema de ação. Após muitos tiros e muita pancadaria, o sucesso possibilitou a criação de uma franquia, assim surgindo Mercenários 2. O segundo filme resolveu seguir o caminho da paródia, usando até os populares Chuck Norris Facts para rir dos clichês do gênero. Lançada esse ano, a terceira produção da série decidiu seguir de vez esse caminho, acabando por oferecer mais comédia e menos ação do que os antecessores. Mesmo com o objetivo inicial do projeto ainda sendo parcialmente alcançado, a qualidade diminuiu consideravelmente.

     A história, novamente, tem uma base muito simples que serve apenas como justificativa para colocar estrelas em combates explosivos. Barney (Sylvester Stallone) entra em uma missão com seu grupo de mercenários para resgatar Doc (Wesley Snipes). Em seguida, durante um combate, acabam encontrando Conrad Stonebanks (Mel Gibson), um antigo companheiro que Barney achava que havia matado. Com isso, começa um caçada para encontrar e matar Conrad.

     Por mais incrível que pareça, esse é o roteiro mais desenvolvido da série. Acontece uma "substituição" dos mercenários veteranos por mais jovens, o que tenta colocar mais dramaticidade a história, o que não funciona (até porque o elenco mais novo...). É incrível como tudo se resolve de forma simples. Para explicar o porquê da necessidade de encontrar o vilão Conrad, Barney mostra uma pasta de arquivos, que contém uma foto do antagonista e outras de crianças assassinadas. Pronto, ele é o inimigo. É ridículo ao extremo.

     O tom de paródia já citado até rende alguns risos, mas bem poucos mesmo. Por exemplo, para justificar a ausência de Bruce Willis no filme, o personagem de Stallone fala "He's out of the picture" (literalmente, "ele esta fora do filme"). É o tipo de coisa que incomoda em um projeto que originalmente tinha intenção de causar nostalgia e não rir do gênero homenageado. Isso diminuiu o tom da ação, que seria o atrativo principal.

     As cenas de ação tem maior destaque no início e no final do filme, sendo o que mais agrada na produção. Apesar do climax parecer prolongado um pouco mais do que devia, ele diverte e honra os clássicos com suas "cenas impossíveis" e muitas explosões. A "batalha final" então é um prato cheio para qualquer amante dos astros de ação.

     Stallone faz o personagem de maior destaque, obviamente. O elenco estelar não permite que cada um tenha um bom tempo em tela, mas todos tem seu momento de destaque. Levando mais em consideração os "novatos" do elenco, o grande nome adicionado é Mel Gibson. O ator consegue transformar um vilão fraco em algo muito mais aceitável e que chega a ser admirável. Era um talento que estava fazendo falta no mundo do cinema. Wesley Snipes e Antonio Banderas seguem mais essa onda de piadas do filme, sendo personagens muito utilizados para fazer rir.

     Falando do elenco de jovens, este decepciona muito. Kellan Lutz (do terrível Hércules, lançado no começo do ano) tem outra atuação horrível em um personagem pra lá de esteriotipado. Ronda Rousey, a campeão do UFC, faz boas cenas de ação e só, porque se for pra dizer apenas uma frase, as coisas ficam muito ruins (e ela ainda ficou brigando pra fazer o papel de Mulher-Maravilha? Ainda bem que a Warner tem bom senso). De resto, nem vale a pena falar sobre.

     Os Mercenários 3 é um filme bem fraco, que consegue divertir mesmo apenas nas cenas de ação. Algumas das piadas utilizadas na produção até são boas, principalmente quando fazem referências a clássicos ("Get to the choppa!"), mas, em geral, não agradam. A única coisa que realmente vale a pena ao assistir o filme é a felicidade de ver vários astros juntos, principalmente para os espectadores mais velhos, já que a a sensação de nostalgia virá naturalmente.

Por: Vitor Pontes

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Culpa é das Estrelas - Crítica

Nota: 8

Título: A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars)
Gênero: Drama, Romance
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 5 de junho de 2014
Duração: 126 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Josh Boone 
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber (Obra original de John Green)
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Willem Dafoe, Laura Dern, Sam Trammel, Lotte Verbeek


     John Green é o nome do momento na literatura mundial. Apesar de só possuir seis livros publicados, todos viraram best sellers. Seguindo o costume de fazer adaptações, Hollywood logo se interessou por suas histórias e resolveu adaptar a última e mais famosa obra do escritor: A Culpa é das Estrelas. O hype criado em cima do filme chegou a proporções absurdas. Os fãs aguardavam desesperados, outras pessoas não sabiam o que esperar e os críticos torciam o nariz antes mesmo do lançamento. Surpreendendo a grande maioria, o filme agradou muito a todos e muito desse sucesso se deve a originalidade com que John Green tratou um assunto tão espinhoso: o câncer.

     Hazel (Shailene Woodley) é uma adolescente que sofre da doença, que afeta principalmente seus pulmões. Frequentadora de um grupo de apoio, em uma das reuniões ela acaba encontrando Gus (Ansel Elgort), jovem que também possui câncer, sendo que a doença lhe fez perder uma das pernas. As conversas logo se transformam em romance e eles iniciam seu relacionamento sabendo da possibilidade de perderem um ao outro a qualquer momento.

     É esperado um clima de tristeza constante, mas esse não ocorre, o que é o grande diferencial do filme. Hazel e Gus já se acostumaram com a morte rondando suas vidas, o que vale mesmo é aproveitar o tempo que ainda resta. Para isso, o jeito é fugir da vitimização e rir de si mesmo. As piadas com os problemas que surgem em consequencia da doença são constantes e demonstram mais sobre a personalidade dos dois. Ambos se preocupam com o legado deixado em vida e tem questionamentos profundos sobre vários outros assuntos, mas tudo é tratado de forma leve devido ao clima de autoparódia criado por eles.

     Obviamente, o final não é feliz, porém o filme não deixa isso claro em nenhum momento, fazendo o espectador sempre torcer pelo sucesso do casal, embora isso seja impossível. A obra cumpre brilhantemente a função de emocionar, podendo facilmente arrancar lágrimas de grande parte do público, mas nunca utilizando situações forçadas ou clichês para isso.

     Claro que todos esses pontos positivos do filme não existiriam sem grandes interpretações. Shailene Woodley e Ansel Elgort trabalham juntos na série de filmes Divergente e a química entre eles é uma das bases para o sucesso do filme. Os dois mostram o porquê de serem alguns dos jovens atores com maior potencial na atualidade, fazendo personagens complexos que não deixam de lado a simplicidade. Destaques para os veteranos Laura Dern, com uma participação pequena, mas importante, e para Willem Dafoe, com sua qualidade de sempre em um papel muito forte e essencial para a trama.

     A Culpa é das Estrelas mostrou ser uma das maiores surpresas do ano. O filme retrata bem a necessidade de se buscar uma razão para viver e a preocupação de deixar algo bom nesse mundo. Simples e bem feita, a produção consegue comover sem nunca se perder nos clichês do gênero. Além disso, a grande bilheteria fez Hollywood enxergar em John Green uma nova fonte de dinheiro, visto que mais três filmes baseados em suas obras estão em produção. Desde que todas possuam a qualidade desta, o cinema agradece.

Por: Vitor Pontes