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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Rush - No Limite da Emoção - Crítica

Nota: 10

Título: Rush - No Limite da Emoção (Rush)
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: EUA, Alemanha, Reino Unido
Ano de produção: 2013
Estreia no Brasil: 13 de setembro de 2013
Duração: 122 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Chris Hemsworth, Daniel Bruhl, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara, Pierfrancesco Favino, Natalie Dormer


     A falta de interesse de muitos pelo automobilismo atual se deve, principalmente, a falta de emoção. Nas corridas, uma disputa emocionante acontece raramente, fora o fato de que a vitória depende mais da potência do carro do que da habilidade dos pilotos em si. Na década de 70, a chamada Era de Ouro da F1, as coisas eram muito diferentes. Os torneios eram disputados por gladiadores e as pistas eram a arenas. A falta de recursos para segurança tornava o esporte um dos mais perigosos do mundo, tanto que muitos faleceram devido a acidentes durante as disputas. Nesse tempo, surgiram dois dos melhores pilotos da história: James Hunt e Niki Lauda, cuja rivalidade é retratada em Rush - No Limite da Emoção.

     Hunt (Chris Hemsworth). Inglês, mulherengo, agressivo e com uma necessidade enorme de provar para si mesmo sua capacidade. Lauda (Daniel Bruhl). Austríaco, centrado, extremamente técnico e avesso a vida de luxo. Duas personalidades muito opostas com apenas uma semelhança: a vontade de ganhar. Tantas diferenças logo causaram antipatia, que cresceu ainda mais quando cada um percebeu o quanto o outro era bom nas pistas. As mentalidades distintas apenas chamaram ainda mais atenção para a rivalidade, que atingiu seu ápice na Temporada da F1 de 1976, momento central retratado no filme.

     James Hunt faleceu em 1993 devido a um ataque cardíaco. Niki Lauda ainda esta vivo e foi chamado para colaborar na elaboração do roteiro. De acordo com o ex-piloto, tudo foi retratado de maneira muito fiel e a obra o agradou muito. Os personagens vão sendo desenvolvidos individualmente, cada um com o tempo ideal em cena, até chegarem ao confronto no campeonato de 76.

     O grande motor (com trocadilho mesmo) da história é o risco de morte já citado. Mais do que a vontade imensa de ganhar de ambos, tudo ainda é potencializado pela possibilidade de acidentes fatais acontecerem. Então, além de buscarem provar sua capacidade técnica, Hunt e Lauda precisam lidar com reflexões sobre o valor de suas vidas e seu lugar no mundo.

     O clima de tensão necessário para o bom funcionamento da produção é feita de forma excelente, sendo que o fato de não usar muitos efeitos especiais auxiliou muito nesse aspecto. Para situar bem a história na década de 70, o diretor Ron Howard acertou em cheio ao escolher o estilo de fotografia granulada, além dos figurinos e penteados da época.

     O envolvimento criado com os personagens vem, em grande parte, pelas brilhantes atuações de Chris Hemsworth e Daniel Bruhl. O primeiro interpreta James Hunt, personagem que combina com sua aparência de galã, e surpreende ao conseguir ser carismático, o que normalmente não é. O destaque maior vai para Bruhl, que se adaptou de forma espetacular aos jeitos de Niki Lauda, além da mudança em sua aparência que o deixou muito parecido com o austríaco.

     Emocionante e tensa, a história é ainda mais impactante para quem não conhece os acontecimentos retratados. Apesar de parecer o típico filme de esportes que serve para mostrar a superação, Rush - No Limite da Emoção é muito mais que isso. Com personagens bem desenvolvidos e ótima ambientação, a produção é uma indicação para todos os públicos, ainda mais para os apaixonados pelo automobilismo.

Por: Vitor Pontes

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Cloverfield - Monstro - Crítica

Nota: 8

Título: Cloverfield - Monstro (Cloverfield)
Gênero: Ficção Científica, Suspense, Ação
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2008
Estreia no Brasil: 8 de fevereiro de 2008
Duração: 85 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Michael Stahl-David, T.J. Miller, Jessica Lucas, Odette Yustman, Lizzy Caplan, Mike Vogel


      O motivo de Cloverfield ter sido um filme tão esperado era, sem dúvidas, a produção de J.J. Abrams. Criador das séries Lost e Alias, ele organizou uma campanha de marketing tão impressionante que fez o filme chegar aos cinemas sendo chamado de filme do ano. Não, ele não chegou a isso, mas não deixa de ser excelente e te faz querer mais, considerando que a produção é bem curta.

     O filme foi feito no estilo found footage durante todo o tempo. Popularizado pelo clássico A Bruxa de Blair, trata-se do formato em que a produção se passa por um documentário feito com uma simples filmadora. A utilização desse meio foi inovadora, já que, geralmente, ele só era utilizado em filmes de terror.

     Apesar do monstro gigante da história, o real foco esta em um grupo de pessoas que buscam sobreviver em meio ao ataque que esta ocorrendo. Rob (Michael Sthal-David) vai se mudar para o Japão, então seus amigos decidem fazer uma festa de despedida para ele. O melhor amigo de Rob, Hud (T.J. Miller) fica encarregado de filmar mensagens de apoio de todos e registrar os momentos. Porém, durante a festa, começam a acontecer explosões pela cidade, tudo começa a virar um caos e parece haver alguma coisa trazendo destruição por onde passa.

     Um dos grandes diferenciais de Cloverfield para outros filmes sobre monstros gigantes esta na falta de uma justificativa para o que esta acontecendo. Não há explicações para nenhum dos eventos, a busca pela sobrevivência é o que importa. O fato de não haver informações sobres os fatos é um grande acerto, pois isso mantém o clima de tensão e ajuda o espectador a se concentrar mais nos personagens. Afinal, a proposta do filme é exatamente essa, mostrar o medo do desconhecido. Além disso, a obra possui um pouco romance, mostrado através de filmagens já existentes na câmera antes do dia do incidente, além de alguns raros momentos de humor.

     O estilo de filmagem permite criar um visual excelente. Em meio a destruição, o que mais pode ser visto é sujeira, pessoas desesperadas e todos os elementos necessários para manter o clima da história. Com isso, o monstro se mantém um mistério durante boa parte do filme. Algumas vezes aparece um rabo, em outras uma silhueta, apenas uma explosão, militares correndo atrás de algo... Esse jeito de revelar a criatura é uma clara homenagem ao estilo de Spielberg em Tubarão.

    A proposta exigia atores desconhecidos, afinal, não passaria veracidade alguma se houvesse alguém como Brad Pitt ali. Apesar da falta de nomes conhecidos, eles vão muito bem, convencendo no que mais precisam passar: sensação de desespero. Palmas para Matt Reeves e J.J. Abrams por conseguirem a proeza de selecionar um elenco totalmente novo e faze-lo render bem.

     Cloverfield prova o quanto um filme pode ser bom sendo simples. Apesar de parecer grandioso, não há explicações ou detalhes, tudo esta ali para manter a tensão e a diversão, que é garantida para quem for assitir.

Por: Vitor Pontes

      

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Somos Tão Jovens - Crítica

Nota: 6

Título: Somos Tão Jovens
Gênero: Drama, Biografia
Nacionalidade: Brasil
Ano de produção: 2013
Estreia no Brasil: 3 de maio de 2013
Duração: 104 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Antonio Carlos da Fontoura
Roteiro: Marcos Bernstein
Elenco: Thiago Mendonça, Sandra Corveloni, Marcos Breda, Bianca Comparato, Laila Zaid, Bruno Torres


     Somos Tão Jovens é um filme que tinha uma missão muito difícil: retratar o ídolo de uma geração. Além de um símbolo para quem viveu sua juventude nas décadas de 80 e 90, as músicas e pensamentos desse músico ainda perduram na atualidade sendo passados de pai para filho. De espírito revolúcionário, Renato Russo foi cantor, compositor e poeta, mas também fazia parte do mundo de sexo, drogas e rock n' roll. Ao prometer trazer todos os detalhes da vida do líder do Legião Urbana, as expectativas para essa produção chegaram a níveis incríveis, aumentando ainda mais a responsabilidade em torno do projeto. O resultado tem seus pontos positivos, mas não cumpre o que todos esperavam.

     A obra busca mostrar a vida de Renato (Thiago Mendonça) desde quando começou a se interessar por música e literatura, passando pelo conturbado período em que criou o Aborto Elétrico (grupo punk que se dividiu formando o Legião Urbana e o Capital Inicial), quando passou um tempo em carreira solo, até chegar ao estrelato com o seu consagrado grupo.

    A atmosfera criada para representar o sentimento de revolta e vontade de mudar dos jovens é boa. A busca por liberdade de expressão tem entre as consequencias a explosão da música como forma de pensamento. Nesse ponto, o filme aproveita para mostrar outras bandas que surgiram junto com o Legião Urbana e que conviveram nos mesmos ambientes na Brasília das décadas de 70 e 80, como Capital Inicial e Plebe Rude.

     O erro do roteiro está na forma como ele trata os lados mais sombrios de Renato Russo. O filme mostra muito o cantor em sua forma de ídolo e revolúcionário, mas esquece o seu problema com drogas e bebida. Tudo é muito velado, parecendo artificial. Os ambientes punks que Renato frequentava eram muito pesados e tinham todo tipo de ilegalidade, mas aqui nada disso é retratado. A suavidade é tanta que aquele espectador que não conheça a carreira do músico pode até acabar o filme achando que ele era um cara "certinho", sendo que sempre esteve longe disso. Esse ponto decepciona muito, já que era uma das maiores curiosidades que as pessoas tinham e esperavam muito ver no filme

     Além disso, a homossexualidade de Renato Russo é praticamente ignorada. O gosto por "meninos e meninas" chega ser comentado, mas de forma muito simples. A importância dessa característica na vida inteira do cantor é deixada de lado.

     O filme empolga mesmo em momentos musicais. Os grandes sucessos do Legião Urbana estão lá, cantados no estilo rock de garagem por Renato e pelas outras bandas presentes. A produção oferece, através dessas interpretações, curiosidades sobre como foi a composição de clássicos como "Eduardo e Mônica" e "Faroeste Caboclo". É impossível não se deixar levar pelas músicas nesses momentos.

     A atuação era um dos pontos mais arriscados do filme e o erro na escolha do protagonista poderia matar a produção. Por sorte, Thiago Mendonça vai muito bem, se adaptando bem aos jeitos de agir e modos de falar de Renato Russo. Os coadjuvantes não tem muito destaque e não são bem desenvolvidos, mas vale a pena citar Laila Zaid como Ana, uma mistura de várias amigas que o vocalista teve na vida.

     Entre erros e acertos, Somos Tão Jovens até empolga, mas peca ao trazer expectativas imensas e não cumprir com elas. A promessa de mostrar detalhes ficou apenas nas palavras mesmo. Apesar disso, os momentos para cantar junto e a presença de outros ícones da música ajudam a salvar o filme, que pode divertir os fãs do maior roqueiro da história do Brasil.

Por: Vitor Pontes

domingo, 16 de novembro de 2014

Círculo de Fogo - Crítica

Nota: 8

Título: Círculo de Fogo (Pacific Rim)
Gênero: Ficção Científica, Ação, Aventura
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2013
Estreia no Brasil: 09 de agosto de 2013
Duração: 132 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Travis Beacham
Elenco: Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Ron Perlman, Max Martini, Rob Kazinsky, Clifton Collins Jr.


     Guillermo del Toro é nerd e não tem vergonha alguma de dizer isso. Especialista em efeitos especiais, ele é um mestre em criar universos fantásticos com histórias divertidas e incríveis. Círculo de Fogo é mais um desses casos. Com inúmeras referências a desenhos orientais, filmes de monstros gigantes e de situações apocalípticas, é um dos filmes mais divertidos dos últimos anos, mesmo com uma história tão simples.

      A trama se passa em um futuro próximo, quando aparece uma fenda no fundo do Oceano Pacífico, que se revela um portal entre dimensões. De lá, começam a sair os Kaijus, extraterrestres gigantes que vem para destruir o planeta. Para se defender, o mundo se une para construir os Jaegers, robôs imensos para combater os alienígenas. Com o tempo, os humanos parecem estar ficando cada vez mais perto da derrota e a salvação pode estar nas mãos de um antigo piloto (Charlie Hunnam) e de uma aspirante (Rinko Kikuchi).

     Basicamente, é um filme de robôs contra alienígenas. Na teoria, iria ser um grande blockbuster raso e comercial, mas na prática, é incrivelmente divertido. Por mais básica que seja a premissa, a produção consegue oferecer um bom desenvolvimento de personagens, tanto principais quanto secundários, e isso tudo em meio a pancadaria. Claro que não é algo muito complexo, mas satisfaz e cumpre a missão de relacionar quem assiste a trama. E aliás, quem vai se importar com o quão profundo é o desenvolvimento deles quando se tem robôs de 50 metros lutando contra aliens que parecem dinossauros na tela?

      O visual é impressionante. Muito detalhados, os cenários são gigantescos e realistas mas, ao mesmo tempo, parecem que saíram de um desenho. Os Kaijus são monstros incríveis, com variedades de tamanho, categoria, entre outros. Mas o ponto alto do visual esta nos Jaegers, uma mistura de tudo que já se viu em animações (eles tem um soco foguete!).  Na história, cada país tem seu próprio robô, então, eles tem características próprias que lembram o local. São todos lindos e empolgantes.

     É claro que o elenco não é o destaque do filme por motivos óbvios, mas os atores não vão mal. Charlie Hunnam não é incrível, mas cumpre bem o papel de "protagonista" (na prática, as batalhas são protagonistas), e Rinko Kikuchi apresenta uma personagem forte e que demonstra superação, mostrando que mulheres também tem espaço no combate. O alívio cômico é oferecido por Charlie Day (revelação da comédia Quero Matar Meu Chefe, embora ainda não seja muito conhecido), que interpreta um dos cientistas do projeto Jaeger, além de Ron Perlman, que mais uma vez volta a trabalhar com del Toro

     Com sequências de ação de tirar o folêgo, Círculo de Fogo oferece muita diversão, provavelmente ainda maior para os mais jovens ou para quem cresceu vendo desenhos orientais. Além disso, o longa dá um tapa na cara e um soco no estômago em qualquer um dos filmes de Transformers. Não tem mais a clássica frase "Mas é uma longa sobre robôs gigantes". Guillermo Del Toro provou que é possível fazer um ótimo filme com essa temática, entendeu Michael Bay? Agora é esperar a continuação anunciada para 2017. 

Por:Vitor Pontes

sábado, 15 de novembro de 2014

O Nevoeiro - Crítica

Nota: 9

Título: O Nevoeiro (The Mist)
Gênero: Suspense, Terror
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2007
Estreia no Brasil: 28 de agosto de 2008
Duração: 123 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont (Obra original de Stephen King)
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Toby Jones, Willian Sadler, Nathan Gamble, Alexa Davalos


     Mais uma das muitas adaptações de obras de Stephen King chegou às telas. Já surgiram obras-primas baseadas em livros do escritor, mas também muitas produções ruins. Felizmente, O Nevoeiro é um ótimo filme, apesar de não chegar ao nível de ser considerado um clássico, e muito disso se deve ao seu diretor e roteirista Frank Darabont, que já havia adaptado de forma excelente Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre, também obras originais de King.

     A história se passa em uma pequena cidade no estado do Maine que foi atingida por uma violenta tempestade. Para manter suprimentos e consertar estragos, David Drayton (Thomas Jane) decide ir fazer compras com seu filho de 8 anos, Billy (Nathan Gamble). Porém, enquanto estão no mercado, a cidade começa a ser dominada por um estranho nevoeiro, que deixa eles presos dentro do local. Logo, é possível perceber que existe algo de sobrenatural no fato. Pode ser mortal sair no nevoeiro, mas com o tempo, as pessoas dentro do mercado começam a parecer cada vez mais perigosas.

      Apesar da ameça do nevoeiro e das "coisas" que estão nele, o roteiro é, na verdade, uma análise incrível do conceito de sociedade. Como as pessoas passam a agir em uma situação de desespero onde o que vale é apenas a busca pela sobrevivência? Nesses casos, o que pode se definir como o bem ou o mal? O certo ou errado? Os mais antigos filósofos teorizavam sobre isso. Aqui, esses pensamentos são analisados de forma extrema e impressionante.

     A ambientação é ótima e a forma de filmagem ajuda a causar uma sensação claustrofóbica dentro do mercado. O filme não abusa de efeitos especiais, apostando no terror psicológico e na tensão duradoura, sempre mantendo o espectador ansioso.

     Se o mercado é a representação do conceito de sociedade, os personagens são os diversos pontos de vista dentro dela. O grande destaque é, sem dúvidas, a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden, em atuação brilhante), uma fanática religiosa que busca convencer a todos que o nevoeiro é um castigo de Deus para punir os homens por seus pecados. Cada vez mais pessoas passam a acreditar em seu pensamento, fazendo com que ela vire uma "antagonista". Ou será que não? Depende do ponto de vista, e isso que torna o papel incrível.

     Como se não bastasse toda a tensão durante o longa, o filme ainda oferece um final chocante, totalmente inesperado e diferente do conto original. É o tipo de coisa que não se imagina ver em uma obra assim, fazendo valer ainda mais assitir O Nevoeiro, perfeito para qualquer fã de um bom suspense.

Por: Vitor Pontes

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - Crítica

Nota: 10

Título: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)
Gênero: Romance, Drama, Ficção Científica
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2004
Estreia no Brasil: 22 de julho de 2004
Duração: 108 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kristen Dust, Mark Ruffalo, Elijah Wood, Tom Wilkinson



     E se fosse possível apagar todas as lembranças sobre uma pessoa através da tecnologia? Essa é a proposta de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, um mundo onde ninguém mais tenha que sofrer por amor. Através de um procedimento a pessoa passará a acreditar que o relacionamento nunca existiu. Afinal, quem nunca quis apagar uma memória triste?

     Na história, Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) são um casal que aos poucos passam a ter problemas cada vez mais frequentes e as discussões começam a acontecer mais do que momentos felizes. Isso leva ao término do romance. Após um tempo, Joel descobre que Clementine resolveu participar de um processo que apagou todas as memórias do relacionamento de ambos. Irritado e confuso, ele decide fazer o mesmo. Porém, durante o tratamento, Joel vai revivendo cada momento do relacionamento dentro de sua mente e redescobrindo o amor que sentia. Isso faz com que ele comece a fugir através de sua memórias para evitar que o processo seja completo e o faça esquecer de Clementine.

     O roteiro recebeu vários prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Roteiro Original. Por se passar dentro da mente do protagonista, a história não é linear e há sempre a dúvida do que é real, obrigando quem assiste a sempre manter a atenção, ou seja, não é um filme para quem não gosta muito de ter que ficar pensando sobre cada detalhe. Embora seja uma grande história de amor, a produção oferece momentos cômicos, utilizados na medida certa, e também dramáticos, sem uso de clichês ou formas fáceis de apelar para lágrimas.

     O elenco estelar vai muito bem e, em combinação com o roteiro, garante o sucesso do filme. Jim Carrey comprova novamente que sua qualidade vai muito além das comédias e faz uma atuação excelente, assim com já havia feito em O Show de Truman. Joel é um cara qualquer, sendo fácil criar identificação com o personagem. Kate Winslet vai mutio bem e faz de Clementine uma personagem ainda mais incrível do que já é no roteiro em si, com seus cabelos coloridos e personalidade marcante. Apesar de terem papéis menores, os outros personagens possuem destaque, o que se deve também as excelentes atuações de Mark Ruffalo, Elijah Wood, Kristen Dust e Tom Wilkinson.

     Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças consegue prender quem assiste facilmente e surpreende o espectador com uma reviravolta incrível. Uma obra emocionante do início ao fim e indispensável para qualquer fã de romances.

Por: Vitor Pontes

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carrie, a Estranha - Crítica

Nota: 4

Título: Carrie, a Estranha (Carrie)
Gênero: Terror, Suspense
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2013
Estreia no Brasil: 6 de dezembro de 2013
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Kimberly Peirce
Roteiro: Roberto Aguirre-Sacasa (Obra original de Stephen King)
Elenco: Chloe Grace Moretz, Julianne Moore, Judy Greer, Gabriella Wilde, Ansel Elgort, Portia Doubleday, Alex Russel


     Lançado em 1974, Carrie, a Estranha (No original, apenas Carrie) foi o primeiro romance publicado do lendário escritor de suspense e terror Stephen King. A obra não teve muitos exemplares vendidos, porém uma das pessoas que leram foi o diretor Brian de Palma. Por ter gostado tanto do livro, buscou incansavelmente formas de convencer produtoras a fazer um filme baseado nele. Finalmente conseguiu em 1976, quando foi lançado Carrie, que hoje é um clássico do cinema de suspense. O sucesso rendeu indicações ao Oscar para as atrizes Sissy Spacek e Piper Laurie, além de ter alavancado instantaneamente a carreira de Stephen King.

      Em 2011, foi anunciada uma nova adaptação de Carrie para os cinemas, o que levantou questionamentos quanto a sua relevância, já que a original era incrível. O filme estreou em 2013 e, infelizmente, não honra a primeira versão.

     A história é a mesma. Carrie (Chloe Grace Moretz) é uma adolescente desajeita e tímida que é alvo de brincadeiras e humilhações na escola. Em casa, ela é superprotegida e impedida de ter uma vida normal por sua mãe, Margaret White (Julianne Moore), uma fanática religiosa. Apesar disso, ela esconde o fato de possuir telecinesia, ou seja, pode controlar as coisas com o poder da mente. Então, ao sofrer com uma brincadeira durante o seu baile de formatura, decide se vingar de todos que lhe fizeram mal.

     Essa versão é mais fiel ao livro do que a de 1976, inclusive o final. A trama foi adaptada para a atualidade. Aliás, o fato dos jovens possuírem celulares foi utilizado em momentos importantes da história. Porém, o que realmente prejudicou o roteiro foi sua infantilização. Enquanto o primeiro filme era pesado e sombrio, esse parece uma obra feita apenas para adolescentes do tipo mais fraco emocionalmente. Tudo é muito limpo, em contraste com o clima de sensualidade que havia na produção feita por De Palma. Outro grande problema encontrado é o filme não conseguir manter a tensão e o suspense em praticamente nenhum momento. Com exceção da cena de abertura, tudo é muito claro e pouco empolgante. Parece mais um drama do que terror.

     Chloe Grace Moretz, embora seja uma das melhores jovens atrizes da atualidade, não consegue convencer. Sua escalação já foi um erro, já que seus papéis em outros filmes tornam difícil associar uma imagem inocente a ela. Fora que sua aparência não é boa para o papel. Carrie é uma garota feia e desajeitada, por isso é humilhada por todos, enquanto Moretz é bonita e normal. Julianne Moore até tenta, mas sua personagem não permite que todo seu talento apareça. Enquanto Piper Laurie interpretava uma mãe que usava gritos para amedrontar, Moore aposta em sussurros, mas não consegue causar impacto. Quanto aos outros personagens, quase não vale a pena falar. Todos esteriotipados ao extremo sem nenhuma atuação convincente.

     Por ser uma nova versão de uma obra tão cultuada, o novo Carrie, a Estranha, precisaria ser muito bom para ficar marcado. Talvez Kimberly Peirce tenha pensado de maneira ousada, mas a impressão que deu através do produto final foi de que esse filme foi apenas mais uma das tentativas de Hollywood de ganhar dinheiro fácil devido a sua falta de criatividade. Todos os elementos que transformaram a produção feita por De Palma inesquecível foram retirados, deixando apenas algo que vai cair no esquecimento daqui alguns anos.

Por: Vitor Pontes