Páginas

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - Crítica

Nota: 10

Título: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)
Gênero: Romance, Drama, Ficção Científica
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2004
Estreia no Brasil: 22 de julho de 2004
Duração: 108 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kristen Dust, Mark Ruffalo, Elijah Wood, Tom Wilkinson



     E se fosse possível apagar todas as lembranças sobre uma pessoa através da tecnologia? Essa é a proposta de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, um mundo onde ninguém mais tenha que sofrer por amor. Através de um procedimento a pessoa passará a acreditar que o relacionamento nunca existiu. Afinal, quem nunca quis apagar uma memória triste?

     Na história, Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) são um casal que aos poucos passam a ter problemas cada vez mais frequentes e as discussões começam a acontecer mais do que momentos felizes. Isso leva ao término do romance. Após um tempo, Joel descobre que Clementine resolveu participar de um processo que apagou todas as memórias do relacionamento de ambos. Irritado e confuso, ele decide fazer o mesmo. Porém, durante o tratamento, Joel vai revivendo cada momento do relacionamento dentro de sua mente e redescobrindo o amor que sentia. Isso faz com que ele comece a fugir através de sua memórias para evitar que o processo seja completo e o faça esquecer de Clementine.

     O roteiro recebeu vários prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Roteiro Original. Por se passar dentro da mente do protagonista, a história não é linear e há sempre a dúvida do que é real, obrigando quem assiste a sempre manter a atenção, ou seja, não é um filme para quem não gosta muito de ter que ficar pensando sobre cada detalhe. Embora seja uma grande história de amor, a produção oferece momentos cômicos, utilizados na medida certa, e também dramáticos, sem uso de clichês ou formas fáceis de apelar para lágrimas.

     O elenco estelar vai muito bem e, em combinação com o roteiro, garante o sucesso do filme. Jim Carrey comprova novamente que sua qualidade vai muito além das comédias e faz uma atuação excelente, assim com já havia feito em O Show de Truman. Joel é um cara qualquer, sendo fácil criar identificação com o personagem. Kate Winslet vai mutio bem e faz de Clementine uma personagem ainda mais incrível do que já é no roteiro em si, com seus cabelos coloridos e personalidade marcante. Apesar de terem papéis menores, os outros personagens possuem destaque, o que se deve também as excelentes atuações de Mark Ruffalo, Elijah Wood, Kristen Dust e Tom Wilkinson.

     Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças consegue prender quem assiste facilmente e surpreende o espectador com uma reviravolta incrível. Uma obra emocionante do início ao fim e indispensável para qualquer fã de romances.

Por: Vitor Pontes

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carrie, a Estranha - Crítica

Nota: 4

Título: Carrie, a Estranha (Carrie)
Gênero: Terror, Suspense
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2013
Estreia no Brasil: 6 de dezembro de 2013
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Kimberly Peirce
Roteiro: Roberto Aguirre-Sacasa (Obra original de Stephen King)
Elenco: Chloe Grace Moretz, Julianne Moore, Judy Greer, Gabriella Wilde, Ansel Elgort, Portia Doubleday, Alex Russel


     Lançado em 1974, Carrie, a Estranha (No original, apenas Carrie) foi o primeiro romance publicado do lendário escritor de suspense e terror Stephen King. A obra não teve muitos exemplares vendidos, porém uma das pessoas que leram foi o diretor Brian de Palma. Por ter gostado tanto do livro, buscou incansavelmente formas de convencer produtoras a fazer um filme baseado nele. Finalmente conseguiu em 1976, quando foi lançado Carrie, que hoje é um clássico do cinema de suspense. O sucesso rendeu indicações ao Oscar para as atrizes Sissy Spacek e Piper Laurie, além de ter alavancado instantaneamente a carreira de Stephen King.

      Em 2011, foi anunciada uma nova adaptação de Carrie para os cinemas, o que levantou questionamentos quanto a sua relevância, já que a original era incrível. O filme estreou em 2013 e, infelizmente, não honra a primeira versão.

     A história é a mesma. Carrie (Chloe Grace Moretz) é uma adolescente desajeita e tímida que é alvo de brincadeiras e humilhações na escola. Em casa, ela é superprotegida e impedida de ter uma vida normal por sua mãe, Margaret White (Julianne Moore), uma fanática religiosa. Apesar disso, ela esconde o fato de possuir telecinesia, ou seja, pode controlar as coisas com o poder da mente. Então, ao sofrer com uma brincadeira durante o seu baile de formatura, decide se vingar de todos que lhe fizeram mal.

     Essa versão é mais fiel ao livro do que a de 1976, inclusive o final. A trama foi adaptada para a atualidade. Aliás, o fato dos jovens possuírem celulares foi utilizado em momentos importantes da história. Porém, o que realmente prejudicou o roteiro foi sua infantilização. Enquanto o primeiro filme era pesado e sombrio, esse parece uma obra feita apenas para adolescentes do tipo mais fraco emocionalmente. Tudo é muito limpo, em contraste com o clima de sensualidade que havia na produção feita por De Palma. Outro grande problema encontrado é o filme não conseguir manter a tensão e o suspense em praticamente nenhum momento. Com exceção da cena de abertura, tudo é muito claro e pouco empolgante. Parece mais um drama do que terror.

     Chloe Grace Moretz, embora seja uma das melhores jovens atrizes da atualidade, não consegue convencer. Sua escalação já foi um erro, já que seus papéis em outros filmes tornam difícil associar uma imagem inocente a ela. Fora que sua aparência não é boa para o papel. Carrie é uma garota feia e desajeitada, por isso é humilhada por todos, enquanto Moretz é bonita e normal. Julianne Moore até tenta, mas sua personagem não permite que todo seu talento apareça. Enquanto Piper Laurie interpretava uma mãe que usava gritos para amedrontar, Moore aposta em sussurros, mas não consegue causar impacto. Quanto aos outros personagens, quase não vale a pena falar. Todos esteriotipados ao extremo sem nenhuma atuação convincente.

     Por ser uma nova versão de uma obra tão cultuada, o novo Carrie, a Estranha, precisaria ser muito bom para ficar marcado. Talvez Kimberly Peirce tenha pensado de maneira ousada, mas a impressão que deu através do produto final foi de que esse filme foi apenas mais uma das tentativas de Hollywood de ganhar dinheiro fácil devido a sua falta de criatividade. Todos os elementos que transformaram a produção feita por De Palma inesquecível foram retirados, deixando apenas algo que vai cair no esquecimento daqui alguns anos.

Por: Vitor Pontes

Interestelar - Crítica

Nota: 9

Título: Interestelar (Interstellar)
Gênero: Ficção Científica, Drama
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 6 de novembro de 2014
Duração: 169 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Cristopher Nolan, Jonathan Nolan
Elenco: Matthew McCounaghey, Anne Hathaway, Michael Caine, John Lithgow, Jessica Chastain, Casey Affleck, Mackenzie Foy, Wes Bentley, Matt Damon


    Tudo começou com Jonathan Nolan. A ideia de Interestelar era grandiosa ao ponto de que ele precisou da ajuda de Kip Thorne, importante físico teórico, para escrever o roteiro de forma que pudesse chegar o mais próximo de uma possível realidade. Uma história com tamanha dimensão e tantos questionamentos nela abordados caiu como uma luva na mão de um dos cineastas mais ambiciosos e cultuados na atualidade: seu irmão, Christopher Nolan. Fã de Stanley Kubrick, ele sempre deixou claro que teve 2001 - Uma Odisséia no Espaço como grande inspiração para produzir Interestelar. Essas declaração, mais os impressionantes efeitos visuais e um elenco de peso foram alguns dos fatores que tornaram o filme um dos mais esperados dos últimos tempos.

     Tudo se passa em um futuro de data incerta, onde a Terra sofre com pragas que estão acabando cada vez mais rapidamente com os alimentos. Há constantes tempestades de poeira e tudo indica que o planeta esta próximo de seu fim. No meio disso, esta Cooper (Matthew McCounaghey), um engenheiro espacial que teve que virar fazendeiro, assim como muitas outras pessoas, para auxiliar na produção de comida. Ele vive com a filha Murphy, o filho Tom e o pai de sua falecida esposa, Donald (John Lithgow). De alguma forma (sem detalhes para não estragar as surpresas do filme), Cooper acaba por liderar uma missão espacial para ir em busca de novos planetas para que a humanidade possa sobreviver.

     Mais do que uma grande ficção, a história oferece vários momentos dramáticos. Abordando temas como solidão, saudade e esperança, o filme constrói de forma excelente as relações familiares do protagonista e declara o amor como um sentimento essencial para o ser humano continuar seguindo em frente. A capacidade do homem para destruir e sua função no universo são alguns dos ótimos questionamentos feitos e que trazem uma profundidade ainda maior para a obra. Cenas de ação estão presentes e são muito boas, mas o ponto alto do filme continua sendo a parte sentimental.

     É importante falar sobre a citada inspiração de Interestelar em 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Não é bom fazer grandes comparações entre as produções. 2001 é um dos maiores clássicos da história da sétima arte e, inquestionavelmente, uma obra prima. Interestelar presta suas homenagens, mas é um filme que possui força própria e deve ser visto como algo independente. Assisti-lo buscando pontos em comum a obra de Kubrick é uma injustiça com o potencial que ambas possuem.

     Mesmo tendo quase três horas de duração, o filme não parece enrolado em nenhum momento. O design utilizado para representar o espaço é de encher os olhos. Não será surpresa alguma se Interestelar ganhar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. A grandiosidade do universo em contraste com o silêncio deste causa um grande impacto, lembrando o recente Gravidade.

     Os nomes do elenco já criavam grandes expectativas e eles não decepcionam. Matthew McCounaghey tem outra atuação espetacular e continua sua série de papéis incríveis. Outros pontos fortes do elenco vão para a atuação de Mackenzie Foy e Jessica Chastain, que interpretam a filha do protagonista, Murphy, quando criança e adulta, respectivamente. A relação dela com o pai é uma das melhores coisas do filme. Destaques também para Anne Hathaway, intérprete da Dra. Brand, uma das grandes personagens do filme, além de John Lithgow e Michael Caine, que mantém a média de sempre fazerem ótimos trabalhos.

     Em meio a tantas coisas boas, um dos poucos defeitos de Interestelar esta na hora da explicação sobre a viagem ao espaço. Muita informação é contada de uma vez só e tira parte do mistério que poderia ser mantido mais tempo e teria adicionado mais suspense a história. Explicar bastante é característico do cinema de Nolan, mas ele acaba por forçar um pouco nesse trecho.

     Outro ponto que atrapalha em certas partes é a trilha sonora. Nolan novamente chamou o excelente Hans Zimmer para ser o responsável por ela. Apesar de boas cenas, ele errou nas partes mais dramáticas, onde a cena não combina com o tom da música, muito exagerada para o momento.

     Interestelar é um filme que marca a história da ficção científica. Com excelentes questionamentos e trechos dramáticos, a produção pode agradar muito os fãs e, certamente, é uma das melhores do ano, já se tornando uma das grandes favoritas para as grandes premiações.

Por: Vitor Pontes

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

No Limite do Amanhã - Crítica

Nota: 8

Título: No Limite do Amanhã (Edge Of Tomorrow)
Gênero: Ficção Científica, Ação
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 29 de maio de 2014
Duração: 113 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Doug Liman
Roteiro: Cristopher McQuarrie, Jez Butterworth
Elenco: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Brendan Gleeson, Charlotte Riley, Lara Pulver, Noah Taylor, Jonas Armstrong


     Lançado em 1993, o clássico da comédia Feitiço do Tempo, com Bill Murray, inovava com sua história sobre um homem que ficava preso no tempo e vivia o mesmo dia várias e várias vezes, enquanto tentava desesperado achar uma solução para o problema. Agora, imagine essa base e adicione toques de ficção científica. Cenário futurístico, seres extraterrestres, armas poderosas, guerras e um grande ator de ação para o papel principal. Pronto, temos No Limite do Amanhã.

     A história se passa no futuro. A Terra é invadida por alienígenas que começam uma guerra pelo planeta e vão levando os seres humanos a ficarem cada vez mais próximos da derrota. No "Dia D", Bill Cage (Tom Cruise), relações públicas do exército americano, é obrigado a ir para o campo de batalha, porém acaba preso no tempo de maneira inexplicável, tendo que reviver o mesmo dia repetidamente, com tudo "reiniciando" caso ele morra. Então, ele passa a aproveitar essa vantagem para se antecipar aos acontecimentos e tentar achar uma forma dos humanos ganharem a guerra. Para isso, conta com a ajuda da oficial Rita Vrataski (Emily Blunt). 

     O filme é uma adaptação do Mangá "All You Need is Kill", criado por Hiroshi Sakurazaka, e possui muitas referências a Segunda Guerra Mundial, como o próprio Dia D e a invasão dos Aliados a França, dominada pelos inimigos. A obra possui grandes cenas de ação, muito bem feitas e empolgantes. Há também momento cômicos, principalmente quando o protagonista ainda esta entendendo como funciona esse ciclo do tempo. O visual dos alienígenas não é algo original ou de encher os olhos, mas é bom. O maior destaque vai para as armaduras utilizadas pelos humanos para o combate, cuja aparência é magnífica e realista.

      É curioso ver Tom Cruise fazendo um papel diferente do normal. Como dito, Cage é membro da área de relações públicas, não um soldado. Ele é covarde, fraco e desajeitado, bem diferente dos personagens de ação que o ator costuma fazer, se tornando um grande guerreiro devido a repetição constante da batalha por estar preso no tempo. A personagem de Emily Blunt também é muito interessante devido a "troca de papéis". Se Cruise faz o inocente, ela faz a valente e destemida. Diferencial enorme do filme, já que a mulher costuma sempre ser a mocinha indefesa dos filmes de ação.

     No Limite do Amanhã não é magnífico ou original, mas é uma ótima obra para entreter. Com boas cenas de ação, alívios cômicos pontuais e um ator clássico do gênero, o filme é uma ótima dica para quem é fã de ficção científica.

Por: Vitor Pontes

     

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Se Eu Ficar - Crítica

Nota: 7

Título: Se Eu Ficar (If I Stay)
Gênero: Drama, Romance
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 4 de setembro de 2014
Duração: 106 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: R. J. Cutler
Roteiro: Shauna Cross (Obra original de Gayle Forman)
Elenco: Chloe Grace Moretz, Jamie Blackley, Mireille Enos, Joshua Leonard, Stacy Keach, Liana Liberato, Jakob Davies


     Odeio fazer comparações entre filmes, acho impossível definir o nível de qualidade de uma obra pelas diferenças e semelhanças a outra com o mesmo tema. Porém, é impossível fazer uma crítica de Se Eu Ficar sem se lembrar de uma das grandes surpresas do ano: A Culpa é das Estrelas. Ambos são filmes baseados em livros, são do gênero "para chorar" (em algumas cenas, "para ficar desidratado"), e a história triste esta ligada a uma tragédia adolescente envolvendo romance e família. Apesar disso, Se Eu Ficar tem também suas próprias características e é um bom filme, mesmo sendo um pouco forçado às vezes.


     A protagonista é Mia Hall (Chloe Grace Moretz), uma adolescente cujas maiores paixões são seu violoncelo, sua família e seu namorado Adam, líder de uma banda de rock em ascenção (Jamie Blackley). Em um dia comum, ao sair de carro carro com o pai Denny (Joshua Leonard), a mãe Kat (Mireille Enos) e o irmão mais novo, Teddy (Jakob Davies), eles acabam se envolvendo em um grave acidente, causando morte de seus pais e fazendo com que Mia entre em um tipo de coma. Porém, ela acaba por ter uma experiência extracorpórea, ficando em uma espécie de limbo no hospital em que esta internada, onde tem que decidir se ainda vale a pena viver ou se é melhor desistir e aceitar a morte.

     Baseado no best-seller de Gayle Forman, a história se divide entre o hospital e flashbacks que nos apresentam toda a vida da protagonista. O roteiro tenta deixar um grande foco no amor, que tem seus bons momentos, apesar de parecer meio forçado em outros, mas o que realmente emociona no filme é a relação da personagem com seus pais. Como já dito, Mia toca violoncelo, ou seja, ama a música clássica, mas seu pai e sua mãe são roqueiros, chegando a já participarem de uma banda. Eles usam roupas do estilo e tudo mais, porém a filha tem gostos totalmente opostos, contraste muito interessante para a história. Motivadores e carinhosos, são quase uma família perfeita, o que torna a morte deles ainda mais triste.

     Os problemas do filmes estão nos clichês, e daí que entram as lembranças de A Culpa é das Estrelas. Apesar de emocionar, não há nada ali que já não tenha sido visto em alguma outra produção do gênero, enquanto no filme inspirado na obra de John Green, a forma alegre de lidar com uma situação tão triste é muito original. A história é outra, mas a semelhança de estilos e o curto período entre ambos os filmes estimulam comparações.

     O visual é bom, com os flashbacks sempre demonstrando felicidade, diferenciando-se do hospital triste, porém a representação de "luz no fim do túnel" é de causar desânimo. Se trata de uma luz branca imensa no fim de um corredor. É, quanta imaginação. 

     Com pais roqueiros e um namorado com um banda em ascenção, sobram homenagens e piada com gênero, que passam por Iggy Pop, Alice Cooper, Ramones, entre outros. Um prato cheio para os fãs do estilo.

     Chloe Grace Moretz parece cada vez melhor e mostra que será uma das grandes atrizes da próxima geração, cativando o público com uma ótima interpretação e sua bela aparência. Destaque para o fato de que ela aprendeu a tocar um pouco de violoncelo para o filme, uma dedicação assim para um papel não é algo tão comum. Jamie Blackley vai bem, apesar de parecer meio inseguro em alguns momentos. Os pais da protagonista já tem uma personalidade incrível e as atuações estão muito boas. Destaques também para Liana Liberato, que interpreta a melhor amiga da protagonista e rende boas cenas, e Stacy Keach, que faz o avô de Mia e participa de uma das melhores sequencias do filme.

     Mesmo com os clichês, Se Eu Ficar consegue emocionar, principalmente pelas relações familiares presentes. O livro do qual foi adaptado possui uma continuação, porém só o sucesso das bilheterias dirão se esta será feita. Pode não ser um roteiro original, mas cumpre o seu objetivo, então, o melhor apenas se deixar levar pelo clima e aproveitar a obra.

Por: Vitor Pontes

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Maze Runner - Correr ou Morrer - Crítica

Nota: 6

Título: Maze Runner - Correr ou Morrer (The Maze Runner)
Gênero:  Ficção Científica, Ação, Suspense
Nacionalidade: EUA
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 18 de setembro de 2014
Duração: 125 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Direção: Wes Ball
Roteiro: Noah Oppenheim (Obra original de James Dashner)
Elenco: Dylan O'Brien, Thomas Sangster, Will Pouter, Kaya Scodelario, Ki Hong Lee, Blake Cooper, Patricia Clarkson


     Chega mais uma produção que vem da crescente onda de adaptações de livros adolescentes para o cinema. Tudo começou com Harry Potter há mais de 10 anos, depois veio Crepúsculo, então surgiram muitos filmes nos úlrimos tempos: Jogos Vorazes, Divergente, Os Instrumentos Mortais... A ideia básica de Maze Runner - Correr ou Morrer é a mesma de algumas dessas outras obras, utilizando um personagem escolhido para ser o líder em um futuro apocalíptico. Mesmo assim, o filme até consegue divertir, apesar de estar abaixo de alguns outros do estilo.

     Tudo começa quando Thomas (Dylan O'Brien) acorda com a mente apagada em um elevador que parece uma caixa metálica. Este o leva para a Clareira, um lugar cheio de outros garotos que também não possuem memória, só conhecendo o que esta ali. O local é cercado por gigantescos muros que formam um labirinto que parece não ter saída e se fecha todas as noites. Thomas sente que ele esta ali por alguma razão e tem que procurar uma solução para tudo aquilo. 

     A trama é baseada no livro homônimo de James Dashner e possui certas alterações a partir do meio dela, porém tem o final semelhante. Os diálogos não possuem nada profundo e muitas vezes enjoam pelo fato de serem explicativos demais. O espectador não precisa que lhe falem o que é cada coisa e o que pode acontecer detalhadamente, deixassem a história seguir. Apesar disso, o mistério principal ainda consegue se manter, sendo o que realmente prende a atenção no filme.

     A ambientação da Clareira é boa, porém o visual do labirinto, que deveria ser o ponto alto do filme, não consegue agradar tanto. O que poderia ter sido algo feito para ser claustrofóbico e imponente, acaba parecendo muito amplo e não cria uma sensação aterrorizante. Existem seres nesse labirinto, os chamados "Verdugos", que, embora não possuam uma aparência impressionante, até conseguem render boas cenas.

     As atuações estão em bom nível, nada espetacular. Dylan O'Brien esta "ok" como protagonista, Thomas Sangster é o mais conhecido entre os jovens do elenco e também o melhor. Kaya Scodelario tem destaque na trama como a única garota do local e também convence. Will Poulter é o mais fraco de todos, cabendo a ele uma espécie de vilão que já é mal desenvolvido e piora devido a atuação. Patricia Clarkson, o grande nome do elenco, tem um papel pequeno, que provavelmente ganhará destaque na possível continuação.

    Maze Runner - Correr ou Morrer não é tecnicamente impressionante, mas pode agradar quem gosta de filmes do gênero e quem leu a obra original. A grande ponta para a continuação esta lá e é muito provável que essa aconteça, considerando o sucesso de adaptações atualmente. Não é marcante, mas consegue entreter, o que já é um bom motivo para aproveitar o possível começo de uma nova série de filmes. 

Por: Vitor Pontes

domingo, 2 de novembro de 2014

Lucy - Crítica

Nota: 8

Título: Lucy
Gênero: Ação, Ficção Científica
Nacionalidade: EUA, França
Ano de produção: 2014
Estreia no Brasil: 28 de agosto de 2014
Duração: 86 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Analeigh Tipton, Amr Waked



     Tenho que admitir, fui aos cinemas achando que iria sair rindo de Lucy e, de certa forma, irritado em gastar dinheiro para ver algo tão ruim. Porém, queimei minha língua. Já fica um aviso: se você é o tipo de pessoa que não consegue ver um filme sem refletir sobre sua história e acha que tudo tem que ter uma explicação convincente, fique longe de Lucy, porque definitivamente não irá te agradar. Se não for assim, vá em frente pois a produção é divertida.


     A história tem como base o clássico mito de que o ser humano só pode usar 10% de sua capacidade cerebral e que se fosse possível utilizar mais que isso, o homem ganharia habilidades sobre-humanas, mas, seria impossível concluir o que aconteceria caso fosse utilizada 100% da capacidade. Tudo isso é explicado através da palestra de um professor (Morgan Freeman) em uma universidade. Enquanto isso, a jovem Lucy (Scarlett Johansson) é sequestrada por um grupo de traficantes, sendo obrigada a transportar uma droga experimental em seu estômago. Porém, seu corpo acaba absorvendo o material e concedendo-lhe poderes como telecinesia, imunidade a dor, fator de cura, entre outros, graças ao aumento constante do uso de sua capacidade cerebral. O que acontecerá quando esse uso chegar a 100%? Eis a questão.

     O filme foi muito criticado por usar um mito como trama. Obviamente, todo o discurso científico da produção é falso e feito apenas para tentar adicionar uma sensação de veracidade a história, sendo esses trechos tão confusos que te fazem realmente querer declarar que acredita em tudo aquilo apenas para não ouvir a explicação. O roteiro te dá a impressão de estar vendo um filme B, porém, como já foi avisado, não é um objeto para reflexões, sendo ele divertido pelas suas cenas de ação, muito bem feitas e até inovadoras, considerando o fato que a personagem usa apenas o poder da mente para derrotar os inimigos.

     O que garantiu que a produção ganhasse destaque antes mesmo de sua estreia e fizesse uma ótima bilheteria foi Scarlett Johansson como protagonista, fazendo mais uma ótima atuação. Lucy não é uma heroína e nem uma vilã, tendo apenas como objetivo descobrir mais sobre o que houve com seu corpo. Porém, a droga acabou a tornando completamente insensível, fazendo com que ela não pense duas vezes em utilizar violência para passar por quem estiver em sua frente. O outro destaque do elenco é Morgan Freeman, já que a "explicação científica" só é aceitável porque ele a faz, pois se fosse um ator desconhecido, soaria ainda mais ridícula.

     Lucy tem um roteiro bem superficial e bobo, mas a ação competente e atuação de Johansson compensam, tornando a obra em algo divertido e que vale a pena ser visto. Apenas abandone a lógica e tenha um bom filme.

Por: Vitor Pontes